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“Portugal está a assumir uma importância crescente no panorama europeu do investimento imobiliário”, diz presidente do The District

Aquele que é considerado o maiores evento do setor imobiliário da Europa arranca esta terça-feira, 22 de setembro, em Madrid e tem Portugal como um dos países convidados. “Espanha e Portugal têm muito mais potencial se forem apresentados aos investidores internacionais como mercados complementares dentro da mesma região”, afirma Juan Velayos.

O crescimento de Portugal no mercado imobiliário no panorama internacional é uma das razões que levaram a organização do The District a convidar o país para aquele que é considerado o maior evento do setor na Europa. O The District Show é o maior evento dedicado ao imobiliário no Sul da Europa. Reúne mais de 15 mil profissionais, fundos de investimento, especialistas e empresas, tem início esta terça-feira, 22 de setembro, e termina na próxima quinta-feira, 24 de setembro, em Madrid, depois de quatro anos em Barcelona.

Em entrevista ao Jornal Económico (JE), Juan Velayos, presidente do The District, identifica as oportunidades de investimento em Portugal para os promotores espanhóis, as diferenças entre os dois países e os desafios que o mercado imobiliário enfrenta atualmente.

Quais são as expectativas para o The District? Por que razão decidiram mudar-se para Madrid?

Esperamos que esta quinta edição marque um novo momento de crescimento do The District. Depois de quatro anos em Barcelona, chegamos a Madrid com o objetivo de reforçar o caráter internacional do evento e, sobretudo, continuar a ser um espaço onde o investimento é debatido a partir de uma perspetiva prática. Queremos que estes três dias permitam aproximar projetos e capital, facilitar encontros úteis e ajudar a antecipar as decisões que irão moldar o mercado nos próximos meses.

A mudança para Madrid é precisamente um reflexo dessa evolução. A cidade tornou-se um dos principais centros de decisão imobiliária do Sul da Europa e concentra uma parte significativa das gestoras de ativos, fundos, promotores, investidores e instituições ligados ao setor. Tem também uma excelente conectividade internacional e relações particularmente fortes com a América Latina. Barcelona foi fundamental para construir e consolidar o The District, e Madrid dá-nos agora a oportunidade de ampliar o seu alcance.

Quais são as razões para escolher Portugal como país convidado?

Portugal está a assumir uma importância crescente no panorama europeu do investimento imobiliário e quisemos que isso se refletisse nesta edição. É um mercado que se tornou mais profissional, continua a atrair capital internacional e está a assistir ao surgimento de oportunidades numa ampla variedade de classes de ativos.

Há também uma questão de proximidade e de perspetiva de mercado. Acreditamos que Espanha e Portugal têm muito mais potencial se forem apresentados aos investidores internacionais como mercados complementares dentro da mesma região. Partilhamos alguns desafios, sobretudo no setor da habitação, mas também temos características diferentes que ampliam as oportunidades disponíveis para o capital. O roadshow que realizámos em Lisboa, em junho, confirmou-nos que existe interesse em reforçar esta relação e dar maior visibilidade às oportunidades que Portugal tem para oferecer.

Que diferenças identifica entre os mercados imobiliários dos dois países?

Espanha tem um mercado maior, com um volume de transações mais elevado e uma presença institucional consolidada em cidades como Madrid e Barcelona. Tem também uma maior diversidade de mercados regionais, o que permite desenvolver estratégias de investimento muito diferentes dentro do próprio país.

Portugal é um mercado com um potencial significativo, oferecendo oportunidades atrativas em segmentos onde a oferta institucional ainda tem margem para crescer. Lisboa e Porto continuam a concentrar uma grande parte da atividade, embora exista um interesse crescente noutras localizações. Além disso, a exposição do país ao turismo e a sua posição atlântica conferem particular relevância a segmentos como a hotelaria, a logística e as infraestruturas digitais.

Em qualquer caso, estas diferenças não tornam um mercado mais atrativo do que o outro. Para muitos investidores internacionais, a possibilidade de analisar a Península Ibérica como um todo proporciona uma maior escala e permite diversificar estratégias entre dois mercados com fundamentos sólidos.

Como veem os promotores imobiliários espanhóis o mercado imobiliário português?

Com base no contacto que mantemos com empresas e investidores de ambos os países, percebemos que existe um interesse considerável por Portugal. Algumas empresas espanholas já conhecem bem o mercado, enquanto outras estão a explorar oportunidades, sobretudo devido à proximidade geográfica, a um certo grau de afinidade na forma de fazer negócios e a desafios imobiliários que lhes são familiares.

Portugal tem o seu próprio enquadramento regulatório, dinâmicas locais e características de procura diferentes. Uma entrada bem-sucedida no mercado exige um conhecimento aprofundado do território, os parceiros locais adequados e uma compreensão clara de onde existe efetivamente procura para nova oferta.

É um mercado com potencial de investimento? Em que segmentos?

Sim, claramente. O residencial apresenta um potencial significativo, uma vez que continua a existir uma procura de habitação não satisfeita, abrindo oportunidades tanto no segmento residencial tradicional como em diferentes formatos de living. O PBSA — alojamento para estudantes — e o senior living são dois segmentos particularmente interessantes, porque respondem a mudanças demográficas e sociais claras, mantendo ainda uma presença institucional relativamente limitada.

Vemos também potencial na hotelaria, sustentada pela força do turismo, e na logística, onde continua a existir uma escassez de ativos de elevada qualidade. Os data centers estão a ganhar relevância devido ao crescimento da economia digital e à posição estratégica de Portugal, embora fatores como o acesso à energia, a disponibilidade de terrenos e a capacidade da rede elétrica sejam determinantes nesta área.

Quanto ao retalho e aos escritórios, continuam a oferecer oportunidades, mas de forma mais seletiva, estreitamente ligada à localização e à qualidade de cada ativo.

Que desafios enfrenta atualmente o mercado imobiliário espanhol para quem pretende investir?

Espanha continua a ser um mercado altamente atrativo para o capital, mas investir atualmente exige mais análise do que há alguns anos. Um dos principais desafios é a dificuldade em transformar a procura existente em projetos concretos. Os processos administrativos continuam a ser morosos em alguns casos, existe escassez de terrenos disponíveis em determinadas localizações e a incerteza regulatória pode atrasar as decisões de investimento.

A isto somam-se os elevados custos de construção, as dificuldades em encontrar mão de obra qualificada e um contexto financeiro que exige uma análise muito detalhada da estrutura de cada operação. Existe capital disponível, mas é muito mais seletivo e exige maior visibilidade sobre custos, prazos e retornos.

Por isso, acreditamos que uma das prioridades deverá ser criar um enquadramento mais previsível. Simplificar os processos de licenciamento, colocar terrenos no mercado, promover parcerias público-privadas e proporcionar maior segurança jurídica ajudaria a garantir que mais projetos que atualmente são viáveis no papel conseguem efetivamente chegar ao mercado.