Hoje, a verdadeira vantagem competitiva não está em saber mais. Está em saber desaprender.
Desaprender não é um conceito confortável. Não cabe bem em programas tradicionais de formação, nem se mede em créditos ou certificações. Desaprender implica abandonar práticas que já deram resultados, questionar modelos mentais que construíram carreiras e, talvez o mais difícil, aceitar que aquilo que nos trouxe até aqui pode ser precisamente o que nos impede de avançar.
Num contexto de disrupção tecnológica, inteligência artificial, alterações geopolíticas e novas expectativas sociais, insistir em soluções antigas é mais do que ineficaz. É, sobretudo, perigoso. Muitos executivos continuam a gerir organizações com lógicas do século XX, apenas com a inclusão ou adição de ferramentas digitais. Digitalizar o obsoleto não o torna relevante.
A formação de executivos, tal como a conhecemos, precisa de uma revisão profunda. Não basta atualizar conteúdos. É preciso mudar o paradigma. Em vez de programas que reforçam o “saber”, precisamos de experiências que desafiem o “acreditar”. Em vez de respostas, precisamos de perguntas melhores. Em vez de certezas, precisamos de desconforto produtivo e real.
Desaprender exige humildade intelectual. E essa talvez seja a competência mais escassa nas lideranças atuais. O executivo que acredita que já viu tudo é, paradoxalmente, aquele que está mais exposto ao erro. Porque deixa de ver. Filtra a realidade através de padrões antigos e ignora sinais de mudança até ser tarde demais.
Os executivos que não desaprendem estão a gerir o passado
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Durante décadas, ensinámos os executivos a acumular mais e mais conhecimento, mais frameworks, mais modelos de gestão, mais certezas. Criámos uma elite treinada para responder rapidamente, decidir com confiança e escalar o que já funcionou. O problema? O mundo mudou mais depressa do que a capacidade desses executivos de questionarem sobre aquilo que sabem e que fazem.