O efeito é notável: mistura (parece misturar) as duas caligrafias, transformando-as numa só: visualmente, o resultado é um texto com caracteres chineses ou — para um olho menos familiarizado, orientais —, mas na verdade a leitura é ocidental, ou seja, da imaginação de Xu Bing resultou o encontro amigável de duas matrizes aparentemente inconciliáveis que se fundem, através das tintas e das palavras, numa só. A ideia desta miscigenação é evidente, não exige muitas explicações: há um mundo inteiro de possibilidades e oportunidades culturais, económicas, sentimentais… — todas as que desejarmos ter — para quem escolhe sair da calha fixa onde nasceu e se abre à diferença que nos rodeia a todos. O Oriente que acolhe o Ocidente e se reinventa numa fusão deliberada; ou vice-versa. Ninguém exclui ninguém.
O último grito
/
Xu Bing é um artista chinês que vive entre Pequim e Nova Iorque. Ele criou uma caligrafia que junta aquela espécie de quadrados chineses e, dentro deles, o alfabeto ocidental.