As compras de ouro têm estado em alta nos últimos anos, em parte fruto da incerteza crescente em torno da economia global, que tem sofrido com conflitos militares, guerras comerciais, tensões socioeconómicas internas e uma crise climática que não dá sinais de inversão. Não é de espantar, portanto, que o ano passado tenha sido o segundo em que os bancos centrais mais compraram deste metal precioso, com 863 toneladas a nível global, atrás apenas de 2024.
Apesar do recuo de 21% em relação ao ano anterior, este volume fica consideravelmente acima da média registada entre 2010 e 2021, de 473 toneladas, de acordo com os dados do World Gold Council (WGC). E, no topo das compras em 2025, ficou a Polónia, com 82,67 toneladas, seguida de Cazaquistão, com 40,97, e o Brasil, com 31,48.
No entanto, e ao contrário de polacos e brasileiros, os cazaques anunciaram também no final do ano passado a intenção de constituírem uma reserva de criptoativos, que faria parte de um “portefólio alternativo” com “instrumentos mais progressivos e de mais alto rendimento”, explicou o governador Timur Suleimenov, em novembro.
A ideia seria arrancar com 50 milhões de dólares (44 milhões de euros), montante que poderá chegar rapidamente a 300 milhões (263,8 milhões de euros). Antes, o governador havia já sugerido portefólios na casa dos 500 milhões de dólares (439,7 milhões de euros) ou até mesmo dos mil milhões (879,4 milhões de euros).
E, para financiar isto, a ideia será vender divisas estrangeiras, mas também ouro. Ainda assim, em termos relativos, este portefólio teria um peso diminuto, dado que, além das reservas do banco central de 69,4 mil milhões de dólares (61 mil milhões de euros) no final de 2025, o seu fundo soberano lidava com 65,2 mil milhões (57,3 mil milhões de euros) em ativos.
Em termos absolutos, o Cazaquistão detinha, no final do primeiro trimestre, 353,6 toneladas de ouro, acima das 341 registadas no final do ano passado, o que perfaz 12 toneladas de compras – suficiente para ficar em terceiro lugar a nível mundial neste período. A título comparativo, Portugal fechou os primeiros três meses do ano com 382,7 toneladas, o mesmo montante que no final de 2025 e suficiente para manter o 14.º posto global.
Mais recentemente, Suleimenov e a vice-presidente do banco central, Aliya Moldabekova, ressalvaram que o portefólio não será exclusivamente de criptomoedas, mas sim de empresas ligadas ao sector e que lidem com ativos digitais. Por outro lado, o país aprovou esta semana legislação para permitir a mineração estratégica de criptoativos, ainda que sujeitos a condições de elegibilidade.
A eletricidade para a mineração fica disponível via quotas a tarifas reguladas, mas sob a condição de parte dos ativos minerados serem transferidos para o cluster tecnológico governamental sediado em Astana. O Cazaquistão é o quinto país do mundo que mais criptoativos minera, sobretudo depois da China ter proibido a atividade.
O ‘loop’ cazaque Comprar ouro, vendê-lo, comprar criptos
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O Cazaquistão foi o segundo país do mundo que mais ouro comprou em 2025, atrás apenas da Polónia, mas, ao contrário da maioria dos bancos centrais, está a usar o metal precioso para investir em criptoativos. A economia da Ásia Central quer constituir um portefólio destes produtos que pode chegar a mil milhões de dólares, colocando em destaque estes ativos ligados à blockchain – um sector no qual tem vindo a apostar em força.