Desde que regressou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Donald Trump tem optado por uma relação conturbada com os parceiros europeus, insistindo numa retórica que oscila entre a desvalorização e a pressão direta, e a colocação em causa de aliança históricas que têm marcado as relações entre as administrações norte-americanas e os governos europeus. Das tarifas ao isolamento diplomático, à mais recente nega dos países europeus na ajuda aos EUA na guerra do Irão, não se augura nada de bom na relação entre os dois blocos económicos.
Em sentido contrário, a NBA, a liga norte-americana de basquetebol que apaixona fãs da modalidade em todo o mundo, percebe que a Europa é uma grande oportunidade para expandir a sua operação e a mostrá-lo está a recente decisão de alargar a liga a mais duas franquias, acrescentando equipas em Seattle e Las Vegas com somas a rondar os 7 mil e os 10 mil milhões de dólares por equipa. Não estamos apenas perante a expansão da NBA no país até porque estão escancaradas as portas de outros mercados mundiais, nomeadamente o europeu.
Já não falta muito para outono de 2027 e para aquele que pode ser o maior salto competitivo a que se assistiu no contexto desportivo mundial. A criação da NBA Europa vai contar com a participação de dez a 12 equipas e os primeiros cálculos do plano de negócios avançam que esta competição poderá trazer aos proprietários das equipas uma soma de vinte mil milhões de dólares, dos quais 15 mil milhões são taxas de expansão e os restantes são taxas provenientes da Europa.
A NBA já iniciou a prospecção para atrair capital privado, de forma a oferecer a investidores em potencial avaliações de equipas que podem chegar aos mil milhões de dólares. Para esse salto competitivo e económico, a NBA já está a ser aconselhada pelo JP Morgan Chase e pelo Raine Group neste projeto.
O que se sabe é que muitos proprietários de equipas da NBA mostraram o seu interesse em investir na Europa e encaram o "Velho Continente" como uma enorme oportunidade comercial, apesar da legislação restritiva que proíbe os proprietários de deterem o capital de mais do que uma equipa.
NBA: streaming catapulta milhões
As plataformas de streaming vão reforçar o investimento em direitos desportivos em 2026, de acordo com previsões da Ampere Analysis. Amazon e Dazn vão assumir metade desse esforço e há um novo líder neste investimento.
Em 2025, foram 13,2 mil milhões e este ano, esse investimento será de 14,2 mil milhões de dólares. As plataformas de streaming vão reforçar o investimento em 7% em 2026 com a Amazon e a Dazn a assumirem quase metade dessa quota e o “canal” de Jeff Bezos a assumir pela primeira a liderança desde 2018.
De acordo com previsões da consultora Ampere Analysis, 27% do investimento total de 14,2 mil milhões de dólares será assumido pela Amazon enquanto a Dazn será responsável por 22% desse montante. Uma coisa é certa: 2026 é o ano da confirmação absoluta de que o desporto é uma aposta sólida das plataformas de streaming.
Para se perceber a aposta que tem vindo a ser feita nos últimos anos, e como o desporto se tornou um polo de atração dos grandes operadores do mercado, o novo ano vai marcar a perda de liderança da Dazn ao nível do investimento. Desde 2018, a Dazn foi sempre a plataforma de streaming com maior quota de investimento no desporto mas 2026 marca uma nova era neste capítulo com a Amazon a ganhar preponderância. O YouTube fecha o pódio ao concentrar 14% do total de investimentos.
A NBA será a grande responsável pela ultrapassagem da Amazon à Dazn já que em julho de 2024, a liga profissional de basquetebol norte-americana vendeu os seus direitos audiovisuais à Amazon, Disney e NBC por 76 mil milhões de dólares. Este será o primeiro ano em que a Amazon irá assumir por inteiro a transmissão dos jogos da NBA.
A juntar à NBA, a Prime Video junta ainda os valiosos direitos televisivos da NFL Thursday Night Football para os EUA e da frenética Liga dos Campeões para os mercados da Alemanha, Itália e Reino Unido.