A Savannah está a procura de capital para continuar a financiar o seu projeto mineiro de lítio em Boticas, distrito de Vila Real, anunciou a empresa na segunda-feira 21 de setembro.
Mas o Jornal Económico sabe que a companhia ambiciona angariar até cerca de 30 milhões de dólares (26 milhões de euros) para arrancar com a construção do projeto em 2027.
O objetivo desta ronda é “comprar equipamentos mais sofisticados para arrancar com a preparação dos primeiros trabalhos” e “avançar à velocidade que os acionistas esperam”, disse ao JE o presidente-executivo da empresa, Emanuel Proença, esta terça-feira, 22 de setembro.
“O início de construção deve arrancar no primeiro semestre do próximo ano e precisamos de comprar material agora: equipamento, maquinaria, peças mais complexas, tecnologicamente avançadas, que são feitas à medida” para a unidade de processamento de lítio, que vai ser construída junto à mina.
Questionado sobre os valores que a empresa espera atingir, o gestor rejeitou fazer comentários dada a sensibilidade da operação. Sobre datas, não adiantou quando será lançada a operação.
A nova operação deverá seguir o mesmo procedimento das anteriores: primeiro procurar financiamento de investidores institucionais, incluindo os próprios acionistas, e depois junto de investidores de retalho.
Em relação ao modelo da operação, o gestor não quis adiantar detalhes, limitando-se a dizer que a empresa tem tido “muitos contactos pela Europa fora com investidores de referência. Há bastantes investidores que estão entusiasmados com o que estamos a fazer”.
Questionado se os atuais acionistas estavam interessados em ir a jogo, limitou-se apenas a dizer que “continuam a apoiar” o projeto, não adiantando mais informação.
Emanuel Proença também fez um ponto-de-situação do projeto. “O primeiro semestre foi bom. Houve bastante progresso na frente de trabalho”, destacando a conclusão do estudo definitivo de viabilidade (DFS). “Fechamos a etapa do DFS. Temos já toda a informação robusta, temos o trabalho auditado. E é robusto o suficiente para os bancos olharem para ele e fazerem a sua ‘due diligence'”.
Sobre o financiamento, disse que está a “andar bastante bem na preparação” do ‘project finance’, com os bancos a realizarem a devida ‘due dilligence’. “À partida, até ao final do ano deve haver novidades”.
A companhia recebeu este ano o direito a financiamento de até 110 milhões de euros por parte do Estado português.
Já o estudo DFS revelou que o projeto pode gerar 3,2 mil milhões de dólares de EBITDA, mais 1,9 mil milhões de dólares de ‘cash flow’.
Atualmente, a companhia conta com ‘cash’ em caixa na ordem dos 17 milhões de libras.
Mina de lítio de Boticas com capacidade para fornecer sete milhões de baterias para carros elétricos
A mina de Boticas, distrito de Vila Real, tem capacidade para fornecer sete milhões de baterias para carros elétricos ao longo da sua vida útil inicial, 14 anos. A empresa mantém a intenção de arrancar com a produção em 2028.
A estimativa foi revelada em julho pela Savannah Resources que anunciou a conclusão do Estudo Definitivo de Viabilidade (conhecido pela sigla em inglês DFS), considerando um dos “marcos mais relevantes no processo de desenvolvimento” de um projeto mineiro, colocando-o numa “posição privilegiada” para avançar para as próxima etapas, incluindo a obtenção de financiamento.
“O estudo confirma uma vida útil inicial de 14 anos para o projeto, suportada por uma Reserva Provável JORC inicial de 20 milhões de toneladas de minério.
Durante este período prevê-se a produção de aproximadamente 2,56 milhões de toneladas de concentrado de espodumena, “matéria-prima suficiente para mais de sete milhões de baterias para veículos elétricos”, segundo a mineira britânica.
Mina de Boticas garante estar preparada para aguentar “condições duras” do mercado de lítio
O mercado mundial de lítio tem sofrido grandes oscilações de preços nos últimos anos. Controlado pela China, um dos maiores produtores e refinadores mundiais deste mineral crítico para a transição energética.
A falta de estabilidade dos preços é um dos problemas para a indústria quando chega a hora de obter financiamento para projetos que envolvem grande quantidade de investimento inicial.
É neste cenário que a dona da mina de Boticas, distrito de Vila Real, assegura que o seu projeto é rentável, com os custos de operação entre os 473-646 dólares por tonelada.
“Conseguimos continuar a operar durante as piores condições de mercado. Conseguimos pagar as nossas contas, continuar a executar para recolher benefícios quando o mercado recupere”, disse o presidente da Savannah Resources a 20 de julho.
Emanuel Proença recordou que no espaço de três anos os preços afundaram de oito mil dólares por tonelada para 600 dólares, tendo recuperado ligeiramente para os 2.200 dólares. “É um mercado muito volátil. Foi um momento muito difícil para a indústria”, afirmou.
“A volatilidade vai continuar a existir. Podemos continuar a operar mesmo debaixo das piores condições do mercado. É importante que os projetos estejam preparados para aguentar as condições duras do mercado”, acrescentou.
“Somos um dos projetos mais bem preparados para aguentar essas condições no mundo. Apesar de estarmos na Europa, apesar de termos de cumprir todas as regras europeias, estamos num bom local”, afirmou, garantindo a competitividade da mina portuguesa face a diversos concorrentes.