Desde o início da operação no Algarve em setembro de 2025, a Piquet Realty Portugal acumulou mais de 262,5 milhões de euros em imóveis disponíveis para comercialização. Este portefólio engloba mais de 161 frações, distribuídas por mais de 10 empreendimentos localizados em Lagos, Portimão, Algarve Interior e Vilamoura. A região algarvia é atualmente o segundo maior mercado residencial de gama alta em Portugal, com Faro a concentrar cerca de 25% da oferta nacional e a Quinta do Lago a registar preços por metro quadrado que competem com destinos internacionais de luxo como Londres, Paris e Madrid.
De acordo com a plataforma 'idealista',desde 2020 que os preços no segmento de luxo no Algarve variam entre os 6.000 euros e mais de 12.800 euros dependendo da zona prime, superando largamente a média geral da região, que rondava os 4.069 euros.
Em 2025, valor médio do metro quadrado variou de forma expressiva consoante a zona prime, variando entre os 6.250 euros por metro e mais de 12 mil euros, superando largamente a média geral da região (que rondava os 3.400 euros a 4.000 euros por metro quadrado).
Na Quinta do Lago os valores alcançam cerca de 12.793 euros por metro quadrado, enquanto em Vale do Lobo a média ronda os 9.171 euros por metro quadrado. Já nas regiões de Lagos, Albufeira e Carvoeiro, os preços médios variam entre os 4.200 euros e os 5.700 euros para apartamentos ou moradias de luxo. No Algarve Central (fora de resorts) a média aproxima-se dos 6.250 euros, com frações de elite a atingir os 10 mil euros.
Em entrevista ao Jornal Económico (JE), Marlos Gonçalves, CEO da mediadora de luxo em Portugal revela que a empresa prevê a entrada de cinco novos projetos na sua carteira de imóveis, o que reforçará significativamente a oferta disponível e ampliará o potencial de negócio nos próximos meses.
Como analisa este primeiro semestre?
Foi um semestre bom. Estamos muito otimistas para o verão e para o segundo semestre. Costumo dizer em jeito de brincadeira que temos dois verões: o primeiro verão que é do turista entre julho e setembro e depois o segundo verão que é o dos turistas que vêm jogar golfe e aproveitar os dias de sol do Algarve.
São dois momentos muito importantes para o mercado imobiliário, mas o mercado este ano foi um pouco atípico em relação ao ano passado. A velocidade de venda, é a mesma, mas os clientes estão mais seletivos. Esta é a minha perceção. Mas em termos de negócios estamos alinhados com o ano passado e com uma perspetiva de crescimento.
Em termos de mercado notam muito a procura do mercado português por este tipo de produto de gama alta. Ou há uma maior predominância do mercado estrangeiro?
No Algarve sem dúvida, a predominância é do mercado estrangeiro, com mais ingleses, irlandeses, holandeses. Em Lagos vemos muitos alemães e começamos a ver uma entrada maior dos americanos no Algarve, algo que sentimos primeiro em Lisboa, Cascais. Os portugueses também, não tanto na gama alta, mas na média. É um segmento que continua a ser importante para o mercado.
Quais são as expectativas para o segundo semestre?
Estamos otimistas, principalmente na região da Quinta do Lago, Vale do Lobo, onde temos alguns produtos muito interessantes. Na Quinta do Lago estamos a comercializar o projeto ‘One Green Way’, que é o maior projeto imobiliário de luxo na região do Algarve [da promotora portuguesa 'The Agency'] num investimento entre 300 a 350 milhões de euros, com 89 residências de luxo, 62 apartamentos e 27 villas. As residências vão dos 2,75 milhões de euros aos nove milhões de euros. Existem alguns apartamentos para venda no valor de quatro milhões de euros de tipologias T4.
Vão ser todas entregues agora para habitar a partir do segundo semestre?
Exatamente. Ainda estão 30% em comercialização e são nessas que vamos trabalhar. Não é um exclusivo nosso, são várias imobiliárias.
Qual o valor por metro quadrado atualmente no Algarve no segmento de luxo?
Acima de 10 de mil euros, dependendo do produto. Estes projetos novos que estão a ser lançados no Algarve, os apartamentos mais próximos da praia estão na ordem dos sete mil euros por metro quadrado. Nas moradias acima de 10 ou 12 mil euros. Há cinco anos era impensável falar nestes valores.
Que outros objetivos têm definidos?
O nosso foco agora é comercializar mais alguns projetos em exclusivo ou coexclusivo. Esse é um desafio para Lisboa e Cascais. Como chegamos há pouco tempo ao Algarve, precisámos compor a equipa para estarmos bem preparados, porque comercializar produtos de luxo em exclusivo é um grande desafio, devido ao compromisso que temos com o promotor. Estamos na fase final da negociação para poder trazer pelo menos cinco ou seis projetos em exclusivo ou coexclusivo para o Algarve no segundo semestre.
Como olha atualmente para o mercado imobiliário em Portugal neste segmento de gama alta?
Nos últimos cinco ou seis anos passamos por alguns sobressaltos mundiais: a pandemia, as duas guerras que continuam. Mas surpreendentemente, Portugal nunca sofreu com esses problemas. Pelo contrário, muitos desses problemas acabaram sendo para nós um benefício. É um país da Europa mais longe da guerra, isso trouxe novas nacionalidades que descobriram Portugal como um destino para viver.
Primeiro os chineses com os Golden Visa. Os europeus, através do Residente Não Habitual, os brasileiros, que é uma onda quase constante. Nos últimos três anos aumentou bastante o fluxo de norte-americanos e começamos a ver também o Médio Oriente a olhar para Portugal principalmente no ultra luxo. O mercado continua superaquecido, mas continua a existir mais procura do que oferta de produtos premium.
Que tipo de produto é que procuram esses clientes? Quais são os requisitos?
Exigem uma sofisticação nos imóveis que nem sempre conseguimos encontrar. Exigem normalmente quartos amplos, salas amplas. Normalmente, quando é uma moradia tem que ter jardim, piscina e exclusividade. Nos apartamentos ginásio, piscina, serviços de concierge 24 horas.
Como olha para o pacote de habitação do Governo?
Acredito que vai dinamizar um pouco mais o mercado. A questão da redução do IVA, a regulamentação do alojamento local, que é um tema que no passado atrapalhava bastante. O Simplex é um tema que veio com muita expectativa para o mercado, mas acho que ainda não deu o dinamismo que se esperava, mas já melhorou bastante.
A simplificação das aprovações de projetos para que os investidores tenham mais vontade de desenvolver projetos em Portugal e que esse mercado como um todo funcione tanto para os portugueses que é o mais importante, mas também para os estrangeiros que estão a vir e que dinamizam o mercado de uma forma interessante.