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Mercados voltaram às negociações com perdas

Os ânimos de terça-feira estavam positivos nos mercados europeus, até o presidente norte-americano ter ameaçado destruir as infraestruturas energéticas do Irão. Uma possível escalada do conflito no Médio Oriente está a deixar os mercados em alerta.

As bolsas europeias voltaram às negociações na terça-feira, depois de um descanso de Páscoa, contudo os resultados não foram positivos, pois ao fim do dia fecharam no ‘vermelho’.

O dia foi marcado por ser a data-limite dada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para o Irão abrir o estreito de Ormuz e para chegar a um acordo de paz. Caso tal não se realize, o presidente ameaçou “destruir as infraestruturas energéticas do país”.

A resposta do Irão foi rejeitar este ultimato, depois de classificarem as ameaças de Trump como “retórica arrogante”.  Os ânimos subiram de tom na tarde de terça-feira, depois de Trump voltar a ameaçar com uma grande ofensiva dos Estados Unidos contra o Irão.

Esta declaração de Trump fez com que o Irão suspendesse as negociações com os Estados Unidos.

Com a iminência de um escalar do conflito os ativos de risco estão a mostrar “resiliência”, “e estão a recuperar dos mínimos estabelecidos no final de março”, refere Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe.

“prazo mais recente definido pela administração americana para o Irão aceitar as condições para um cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz termina terça-feira à noite, e os investidores estarão atentos a qualquer sinal de desanuviamento ou, pelo contrário, de agravamento das tensões. Para já, o comportamento dos mercados sugere alguma complacência. A subida do petróleo ainda não foi suficiente para desencadear um movimento mais amplo de aversão ao risco, e a narrativa de fundo continua a ser dominada pelas expectativas de política monetária”, salienta

“No entanto, este equilíbrio é frágil. Uma escalada mais séria no conflito poderá traduzir-se rapidamente em pressões inflacionistas adicionais, levando a taxas de juro mais elevadas. Assim, o curto prazo continua altamente dependente de desenvolvimentos geopolíticos. Sem uma resolução clara, é provável que o mercado permaneça volátil, alternando entre momentos de alívio e episódios de correção, à medida que os investidores ajustam posições perante um cenário ainda marcado pela incerteza”, explica.

O ouro é outro ativo que tem vindo a recuperar com o escalar deste conflito. “O preço do metal precioso tem-se mantido estável desde o início de abril, depois de ter perdido mais de 13% durante o mês anterior. O conflito provocou picos nos preços do petróleo e do gás, alimentando receios inflacionistas e aumentando a perspetiva de uma política monetária restritiva por parte dos bancos centrais. Esta dinâmica resultou em yields obrigacionistas mais elevadas e, em particular, reforçou o dólar norte-americano devido ao seu estatuto de ativo de refúgio. Como resultado, é provável que o metal precioso continue a negociar dentro de um intervalo de preços relativamente estreito, apanhado entre o suporte proporcionado pela incerteza persistente e a pressão criada pela força do dólar e pelas yields mais elevadas”, aponta Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.