Skip to main content

Médio Oriente: guerra intensifica-se e Israel pode regressar

A morte de dois militares norte-americanos na Jordânia afastou ainda mais o Irão dos Estados Unidos. O memorando de entendimento está esquecido e o próximo passo pode ser o regresso de Israel ao cenário de guerra.

Ao final deste domingo, Israel estava em alerta máximo e ponderava seriamente a possibilidade de um ataque do Irão ao seu território. Se isso sucedesse, Israel regressaria ao cenário de guerra de os Estados Unidos o afastaram para poderem redigir o memorando de entendimento com o regime de Teerão. O problema é que o memorando, entretanto assinado pelos dois países, está morto e enterrado – segundo a maioria dos analistas. O regresso dos ataques de Israel ao Irão é, por isso, uma forte possibilidade. Israel alertou que mísseis direcionados ao porto jordaniano de Aqaba, localizado logo após a fronteira com Israel, poderiam cair no seu território, arrastando o país de volta para o conflito. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o país responderia com firmeza a qualquer ataque do Irão, acrescentando que Israel estava "preparado tanto para ações defensivas como ofensivas" contra Teerão.

No terreno, as ações militares subiram na escala da violência, depois de um ataque iraniano a uma base militar norte-americana na Jordânia ter provocado a morte de dois soldados dos EUA. Os Estados Unidos lançaram uma nova onda de ataques contra o Irão em retaliação às mortes, com o Comando Central norte-americano a ter como alvo instalações da Guarda Revolucionária, depósitos de mísseis e drones, sistemas de vigilância costeira e defesas aéreas. Segundo o Comando, o ataque foi planeado para enfraquecer a capacidade do Irã de controlar o Estreito de Ormuz e punir as forças da Guarda Revolucionária Islâmica. O Kuwait, o Bahrein e outros estados do Golfo ativaram as suas defesas aéreas ao longo deste domingo, temendo a repetição de ataques iranianos – de que foram alvo ao longo da passada semana.

Os dois militares foram mortos na sexta-feira, enquanto as forças norte-americanas se defendiam de ataques de mísseis balísticos e drones iranianos, segundo um comunicado das Forças Armadas dos EUA. Outros quatro militares que foram evacuados para hospitais jordanos. Com estas mortes, o número de militares norte-americanos mortos no conflito sobe para 16, além de mais de 430 feridos.

No sábado, o líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, alertou para "lições inesquecíveis" caso os Estados Unidos continuem a atacar o Irão. Khamenei, que não é visto em público desde o início da guerra, classificou a assinatura do presidente dos EUA, Donald Trump, no acordo de cessar-fogo assinado há cerca de um mês como "sem valor e inválida".

No mesmo dia, ataques aéreos dos Esttados Unidos atingiram uma unidade de energia elétrica e dessalinização na província de Hormozgan, no sul do Irão. A agência de notícias estatal IRNA informou que a unidade de Bonji foi destruída, interrompendo o abastecimento de água para cerca de 10 mil pessoas, e que uma unidade de dessalinização na estratégica ilha de Qeshm, dentro do Estreito de Ormuz, foi danificada.