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Médio Oriente: Guerra continua nas duas frentes

Irão e Líbano continuaram ao longo do fim-de-semana a ser duas frentes ativas de guerra. Declarações sobre as negociações de paz entraram em período de defeso: apenas o Paquistão continua a envidar esforços para manter o assunto vivo.

Ao longo do fim-de-semana, o exército de defesa de Israel (IDF) continuou a sua ação de guerra no Líbano, tanto na fronteira como em Beirute. O exército israelita divulgou imagens das IDF num ataque aéreo contra o quartel-general do Hezbollah nos subúrbios do sul de Beirute e afirmou que, no local, agentes do grupo armado planeavam ataques contra Israel e tropas no sul do Líbano. A ação militar foi também uma resposta a um ataque com foguetes do Hezbollah contra o norte de Israel no início do dia do domingo, disseram as mesmas fontes.

O Irão respondeu afirmando que vai aumentar o seu apoio ao Hezbollah e que dessa forma aumentará a pressão sobre Israel, que insiste em não cumprir o cessar-fogo acordado em sede das negociações em Washington. Mas, depois de uma nova avaliação, o Comando da Frente Interna das IDF avançou que não haverá alterações nas suas diretrizes para civis – que permanecem em vigor até segunda-feira à noite. Ou seja, até lá, o Comando da Frente Interna manterá a pressão dos ataques.

Por outro lado, as IDF revelaram um sistema de túneis do Hezbollah perto do Castelo de Beaufort, no sul do Líbano (ocupado por tropas israelitas na semana passada), que, segundo aquela entidade, foi construído com assistência direta do Irão. Os militares avançaram que o principal motivo da incursão na área do Castelo de Beaufort foi capturar e demolir este local subterrâneo, bem como impedir que o Hezbollah realizasse ataques com foguetes contra Israel a partir da região. “As Forças de Defesa de Israel lançaram operações na área de Beaufort para obter o controlo operacional da região, que representa uma ameaça para os civis israelitas, e para possibilitar a destruição da rede de túneis”, afirmou o exército.

As IDF afirmaram que o túnel foi “construído numa área civil, num local que permite o controlo operacional da região da Galileia, a apenas 6km de Metula, e serviu como centro do Hezbollah na área”. “Trata-se de uma rede subterrânea composta por vários níveis escavados em profundidade no solo rochoso. Toda a rede foi construída com financiamento e planeamento completos pelo regime terrorista iraniano ao longo de mais de uma década”, afirma o exército.

Segundo os militares, o túnel contava com infraestruturas de água e eletricidade, capacidade antitanque e antiaérea, alojamentos, armazenamento de armas e até mesmo uma sala de cirurgia. Disseram ainda que a instalação subterrânea foi construída "numa área onde o exército libanês opera". Ou seja, Israel pretende provar que as forças militares do Hezbollah e o exército do país são essencialmente a mesma coisa. “Como parte dos esforços para fazer cumprir o acordo entre Israel e o Líbano, foi submetido um pedido ao exército libanês para que abordasse o local, mas o Hezbollah claramente impediu que isso acontecesse”, acrescentou o exército.

 

Entretanto, no Irão

No dia em que a guerra completou cem dias, os Estados Unidos afirmaram ter derrubado dois drones iranianos no Estreito de Ormuz, em mais um episódio de tensão na guerra. Episódios do género vão-se repetindo todos os dias, colocando mais pressão sobre as negociações para a paz.

Aliás, as negociações estão estagnadas, apesar de o Paquistão, que atua como principal mediador, prosseguir esforços para encontrar uma plataforma de entendimento entre os dois países. O ministro do Interior paquistanês, Mohsen Naqvi, fez nova visita a Teerão, onde entregou uma “carta especial” ao chefe da diplomacia iraniana. A carta, dirigida ao líder supremo Mojtaba Khamenei, contém “uma mensagem muito importante”, referiu Naqvi, sem revelar mais sobre o assunto

Nos últimos dias, Irão e os Estados Unidos mantiveram silêncio sobre os diálogos, longe das declarações positivas do fim de maio sobre um protocolo de acordo em fase de finalização.