A Lufthansa continua em jogo na corrida à TAP, mas avisa que quer a maioria da companhia aérea. A mensagem é clara: o crescimento só será potencializado ao máximo se os alemães tiverem o máximo poder de decisão.
"Temos forte interesse. Vemos o potencial. Fazemos intenção de entregar a proposta não-vinculativa", disse Tamur Goudarzi-Pour, vice-presidente para a Estratégia da Lufthansa.
"Somos a segunda maior companhia europeia por passageiros e a quarta maior a nível mundial por receitas", destacou.
A TAP só sobrevive se for integrada num grupo maior, defendeu num encontro com jornalistas portugueses em Frankfurt, Alemanha.
O gestor alemão apontou que é uma vantagem para a TAP o facto de os hubs da Lufthansa serem mais afastados de Lisboa face ao Iberia em Madrid ou da Air France em Paris.
"Podemos ligar todos os hubs via Lisboa para a América do Sul. Podemos ligar a América do Norte via Lisboa para a África lusófona", apontou.
"A distância geográfica" da Lufthansa para a TAP "oferece muitos benefícios", considerou.
Além da Lufthansa, e da Air France-KLM, também a dona da British Airways e da Iberia estão interessadas na privatização da TAP.
Mas a IAG poderá desistir da corrida à TAP por concluir que uma fatia minoritária não serve a sua estratégia, segundo revelou recentemente a "Bloomberg" que escreveu que a dona da British Airways e da Iberia ainda poderá apresentar uma proposta não-vinculativa antes de desistir.
Sobre a questão de ter maioria ou não na TAP, o que não está previsto nas regras atuais, defende que prefere um maior controlo. "Preferimos um caminho para a maioria, mas não vamos sair fora neste ponto. Continuamos no processo. É sempre a nossa preferência ficar com a maioria".
Sobre temas em aberto como os processos judiciais que opõem 2 mil ex-tripulantes de cabine despedidos durante a pandemia, ou o processo da companhia brasileira Azul contra a TAP SGPS (que está insolvente (com a companhia aérea a ser detida por outra sociedade, a TAP SA), o gestor apontou que a 'due dilligence' só será feita a partir de 2 de abril e que ainda não há conclusões a tirar.
"Não fizemos a 'due dilligence' ainda. Há certas regras que serão seguidas, como habitualmente num processo de compra. Discutiremos com o Governo quando for mais claro", afirmou.
O Governo português está confiante de que vai receber três propostas pela privatização da TAP.
O prazo final para a entrega das propostas não-vinculativas pela companhia aérea é a próxima quinta-feira, 2 de abril.
Na corrida estão a alemã Lufthansa, a franco-neerlandesa Air France-KLM e a anglo-hispano IAG.
"Penso que os três grupos olham para a TAP numa perspetiva de médio a longo prazo de crescimento. Não penso que esta crise vá ter um forte impacto no interesse e nas condições da privatização", disse o ministro das Finanças esta terça-feira, 31 de março, em entrevista à "Bloomberg".
Considerando que a TAP é "provavelmente a última" companhia aérea de médio porte na Europa que ainda está disponível no mercado, contando com ligações intercontinentais para os EUA, Canadá, América do Sul ou África que a tornam atraente para as grandes companhias aéreas europeias.
O executivo de Luís Montenegro planeia vender até 49,9% da companhia aérea, com 5% destes reservados primeiro para os trabalhadores.
Apesar da grave crise energética mundial, que fez disparar os preços do jet fuel, o Governo vai manter o calendário da privatização.
"Mantemos tudo", disse recentemente ao JE o ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz.
Depois da entrega da proposta não-vinculativa até 2 de abril, os interessados têm mais 90 dias para entregar a proposta vinculativa até 1 de julho, período durante o qual farão a devida 'due dilligence', isto é, vão analisar os dados operacionais, financeiros ou jurídicos, antes de apresentar a proposta final.
A Lufthansa anunciou na terça-feira, 31 de março, que aumentou os voos para Portugal devido à guerra no Médio Oriente com os turistas à procura de um verão em países europeus seguros, longe do conflito.
Por um lado, a companhia consegue ter mais aviões disponíveis devido ao cancelamento de algumas rotas devido à guerra. Por outro, o aumento da procura por férias na Europa, perante a impossibilidade de outras regiões, está a alimentar esta expansão.
A expansão das ofertas dos voos para o verão 2026 acontece devido ao "aumento na procura de viagens aéreas de turismo e negócios".
Na Europa, vai acrescentar 540 rotas dos seus hubs em Frankfurt e Munique durante o período entre abril e outubro de 2026, "servindo tanto destinos turísticos na Europa do Sul como vários destinos na Europa do Norte".
"Entre outros, a capacidade na Península Ibérica, Grécia e Itália vai ser expandida significativamente", segundo o comunicado divulgado esta quarta-feira.
Um dos países que já está a ser afetado pela guerra, apesar de alguma distância do conflito, é a Turquia, que já regista quebra na procura turística, a par de Chipre.
Mas o azar de uns é a sorte de outros. Países como Portugal, Espanha, Itália e Grécia estão a ser beneficiados com o aumento da procura.
"O ambiente geopolítico continua altamente volátil, caracterizado por mudanças de curto-prazo e flutuações de mercado. Em particular, aumentos agudos no preço dos bilhetes devido aos custos elevados de combustível podem impactar a procura. No presente, todavia, a procura por viagens continua alta, apesar de terem sido implementados aumentos nos preços dos bilhetes", pode-se ler.
Além da expansão de voos, "as companhias do grupo Lufthansa estão atualmente a desenvolver e a avaliar cenários para permitir uma rápida resposta a mudanças no ambiente do mercado, por exemplo, através do cancelamento de rotas deficitárias ou o retiro antecipado de aviões mais antigos".
Os voos adicionais acontecem com o ajuste dos aviões que antes seguiam para o Médio Oriente, com os recursos disponíveis a poderem ser "utilizados eficientemente".
"Este medida permite à Lufthansa e às outras companhias do grupo responderem flexivelmente à mudança de voos dos viajantes, influenciada por desenvolvimento geopolíticos".