O nome da protagonista de "Sex and the City", Carrie, simboliza a crescente dificuldade de muitas pessoas em alcançar a independência residencial nas metrópoles europeias. E parece que Lisboa não é uma boa capital para os solteiros alugarem uma casa, segundo o índice The Economist.
Este calcula quanto teria de ganhar um arrendatário para que o custo da renda não ultrapassasse cerca de 30% do seu salário mensal, um limite frequentemente usado para definir um arrendamento sustentável. As cidades que ultrapassam claramente este limiar são classificadas como inacessíveis para um trabalhador médio viver sozinho.
Segundo o Carrie Bradshaw Index, algumas das maiores e mais dinâmicas cidades da Europa continuam a ser especialmente difíceis para quem aluga um apartamento sozinho. Londres, por exemplo, destaca-se como um dos mercados mais desequilibrados, onde um arrendatário médio pode gastar mais de 40% do seu rendimento mensal em renda de casa, muito acima do limiar considerado saudável. Cidades como Dublin, Estocolmo ou Praga também têm assistido a uma subida mais rápida dos preços de aluguer do que dos salários, o que as coloca em posições elevadas no ranking de inacessibilidade.
Em contrapartida, apenas um pequeno grupo de cidades, como Bonn (Alemanha), exibe uma relação mais "aconselhável" entre rendimentos e renda, mantendo essa proporção abaixo dos 30%. No gráfico divulgado pelo The Economist, Lisboa aparece claramente do lado "inacessível" para os arrendatários. A escala compara o salário médio da cidade com o salário típico dos arrendatários: quando o valor é inferior a 1, significa que o salário médio não é suficiente para suportar o custo de arrendamento sem que haja uma pressão financeira significativa.
Lisboa está bastante abaixo do limiar de 1, estando mais próxima de cidades como Sófia, Riga ou Estocolmo do que das metrópoles consideradas acessíveis. Isto indica que, em média, os rendimentos dos trabalhadores em Lisboa não acompanham o custo das rendas, tornando a cidade uma das menos acessíveis da Europa para arrendar.
Esta situação tem consequências sociais e provoca tensões urbanas, com implicações para o mercado de trabalho, a mobilidade dos jovens e as políticas públicas de habitação. Em muitas cidades, especialmente capitais e centros financeiros como Londres, Dublin ou Lisboa, a dificuldade em conciliar salários e rendas está a forçar as famílias a procurar alternativas na periferia ou em cidades mais pequenas, ou a optar por soluções de arrendamento partilhado.
Os especialistas urbanos avisam que, sem uma resposta política concertada que inclua estímulos à construção de habitação acessível e medidas para sincronizar o crescimento dos salários e das rendas, este desequilíbrio poderá acentuar-se, com perdas de qualidade de vida em centros urbanos cada vez mais competitivos a nível internacional. As des cidades mais caras para arrendar (menos acessíveis) apresentam uma relação salário/renda inferior a 1, o que significa que o salário médio não é suficiente para cobrir confortavelmente o custo do arrendamento.
Top 10 das cidades menos acessíveis para arrendar um quarto:
- Tbilisi – A cidade com a situação mais crítica do índice, com rendas muito acima da capacidade salarial média.
- Praga: a forte procura turística e internacional faz subir os preços.
- Belgrado: crescimento económico desigual face ao aumento das rendas.
- Budapeste: popular entre nómadas digitais, o que pressiona o mercado local.
- Lisboa: uma das capitais mais problemáticas, com salários baixos e rendas em níveis europeus.
- Sofia: mercado em rápida valorização, mas salários continuam entre os mais baixos da UE.
- Estocolmo: apesar dos salários elevados, a escassez de oferta torna o arrendamento difícil.
- Riga: aumento de preços sem crescimento salarial equivalente.
- Londres: um dos mercados mais caros do mundo, com rendas muito acima da média salarial.
- Dublin: a forte presença de multinacionais e a oferta limitada elevam os preços.
Fonte: The Economist
As 10 cidades mais acessíveis
Estas cidades apresentam uma relação salário/renda superior a 1, o que significa que o salário médio é suficiente para cobrir o custo do arrendamento com alguma folga. Embora as duas últimas ainda estejam do outro lado da barricada, estão muito perto do lado mais acessível.
- Luxemburgo – Os salários muito elevados tornam o arrendamento relativamente acessível.
- Viena: o robusto modelo habitacional público mantém os preços controlados.
- Helsínquia: mercado regulado e salários altos.
- Bruxelas: rendas estáveis e salários competitivos.
- Berna: elevado poder de compra dos residentes.
- Lyon: mercado equilibrado e salários acima da média francesa.
- Bonn: cidade alemã com rendas moderadas e bons salários.
- Berlim: apesar da pressão recente, continua a ser mais acessível do que outras capitais.
- Copenhaga: os salários altos compensam o custo elevado das rendas.
- Genebra: um dos salários médios mais elevados.
Fonte: The Economist