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Jorge Rebelo de Almeida “Ninguém nos tira o prazer de chegar a um prédio destruído e dar-lhe vida”

O Vila Galé faz 40 anos. É o segundo maior grupo turístico português. Jorge Rebelo de Almeida é o fundador e o visionário. Gonçalo Rebelo de Almeida, o filho, é o CEO desta multinacional que nasceu quase por acaso, mas que fatura 320 milhões de euros por ano e está a crescer. Também no interior de Portugal e na recuperação de património. Por paixão.

Jorge, no começo, não imaginava chegar aqui. Em que momento é que o Vila Galé deixou de ser um negócio para ser um projeto com futuro?
Jorge Rebelo de Almeida: Costumo dizer que o Vila Galé nasceu sem grande preparação, sem estratégia e sem nada de muito complicado. Eu tinha experiência como advogado no setor do turismo e no setor da construção. Aliás, eu tinha tirado o meu curso de direito a trabalhar no Ministério das Obras Públicas. Tinha conhecimento do turismo porque era advogado de alguns grupos hoteleiros do Algarve. Da construção também, porque a minha advocacia e o meu percurso profissional até aos 36 anos tinha sido sempre a trabalhar ligado ao setor dos projetos, das obras, das empreitadas. Por isso, decidi, com dois amigos, na época, fazer uma primeira experiência negocial.
Eu gostava imenso de ser advogado e, sobretudo, naquela área em que trabalhava, mas faltava-me, de facto, fazer qualquer coisa de palpável, tangível, para não ser só papel.
Decidimos lançar essa experiência no Algarve. Era a região mais turística na época, muito pouco do que é hoje, mas já relevante. Como não havia também grande estratégia para planos de marketing, usámos o nome do lugar onde íamos fazer o hotel, que foi na praia da Galé, ao lado de Albufeira, e assim decidimos chamar-lhe Vila Galé. Não havia minimamente a ideia, nem me passava pela cabeça fazer um grupo hoteleiro. Achei que ia fazer um negócio.
Tive foi a preocupação de começar um negócio, mas com três saídas possíveis. Ou seja, a hotelaria podia resultar, se não resultasse, podíamos vender os apartamentos, porque comecei por fazer um hotel de apartamentos, exatamente para ter essa outra saída, porque não queria fazer má figura e queria pagar o empréstimo que contraímos para fazer aquele projeto. E, em terceiro lugar, uma outra vertente de que eu também tinha experiência, que era o time sharing, o direito real de habitação periódico. Aliás, tinha participado na legislação que foi feita. Curiosamente, foi essa que veio a acontecer, porque a hotelaria era muito incipiente, ainda, havia um período muito curto de ocupação. E nós decidimos fazer, em parceria com o Banco Português do Atlântico e com o Montepio, uma operação de venda aos balcões de títulos de férias com garantia passada pelo banco. Ou seja, como era um negócio, na época, um bocadinho duvidoso, eu tive a preocupação e o cuidado de oferecer aos potenciais compradores uma segurança absoluta. Portanto, nós dávamos um rendimento e dávamos férias e, paralelamente, os clientes tinham uma garantia destes dois bancos que fizeram a operação connosco.

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