O comunicado conjunto entre o Irão e Omã sobre a gestão imediata do Estreito de Ormuz, debatido entre os dois Estados do Golfo, continua a ser alvo de apuro e, ao cabo de mais de 24 horas sobre o anúncio do entendimento, continua desconhecido. Encontra-se numa fase final de revisão e redação, dizem as duas partes envolvidas – mas a demora depois de, aparentemente, o mais difícil ter sido conseguido, está a deixar os observadores apreensivos.
As autoridades de Teerão confirmaram que o documento será emitido muito em breve, desde que não ocorram interferências ou sabotagens por parte de terceiros países – o que quer dizer os Estados Unidos. Apesar de o texto final não ter sido divulgado, os detalhes fundamentais do entendimento já são conhecidos publicamente através do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão. Os dois países definiram e aprovaram as coordenadas geográficas exatas de um novo corredor de navegação comercial através do estratégico Estreito de Ormuz. O plano prevê que os navios cargueiros entrem no Golfo Pérsico através de uma faixa marítima controlada pelo Irão e saiam por uma via administrada por Omã.
O comunicado conjunto detalhará critérios técnicos, jurídicos, ambientais e de segurança regional. Também incluirá propostas para a criação de um mecanismo de financiamento conjunto para missões de resgate e proteção ambiental na zona – a que mais comummente se chama portagens.
Mas a diplomacia iraniana sublinhou que a assinatura deste pacto com Omã não significa a reabertura automática ou imediata do Estreito de Ormuz ao comércio global. A normalização total do tráfego marítimo continua dependente de negociações paralelas mais amplas, nomeadamente do fim do bloqueio naval mantido pelos Estados Unidos aos portos iranianos.
Esta quinta-feira correspondia precisamente ao prazo limite implícito que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha estabelecido nas suas declarações mais recentes – nas quais reiterou o aviso de que o Estreito de Ormuz tem de reabrir de imediato e repetiu que, caso o Irão não colabore, o país será atingido "com muita força" pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.
Demissões em Israel por causa do Irão
Entretanto, a imprensa hebraica adianta que Roman Gofman, recém-nomeado diretor da Mossad, a mais importante agência de inteligência de Israel, removeu dois dos mais altos funcionários da organização que estiveram intimamente envolvidos no desenvolvimento de um plano para derrubar o regime iraniano. O fracasso do plano, qualquer que ele tenha sido, é a causa do desentendimento na Mossad.
Um dos elementos da agência era desde dezembro chefe da direção de inteligência do Mossad, e o outro era o chefe da divisão iraniana da agência. Ambos estavam envolvidos na preparação e execução de um plano operacional para derrubar o regime teocrático da república islâmica com a ajuda de grupos minoritários do Irão. Segundo as mesmas fontes, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu discutiu o plano ao tentar persuadir Donald Trump a declarar guerra contra a o Irão – o que viria a conseguir.
Os dois funcionários e Gofman entraram em conflito desde o início, mas as suas saídas estão serão por mútuo acordo, como parte de uma reorganização mais ampla da Mossad. Ambos devem permanecer na agência, mas noutras funções.
O plano do Mossad previa ataques israelitas contra posições da Guarda Revolucionária ao longo da fronteira do Irão com o Iraque, no Curdistão iraniano. Os ataques tinham como objetivo abrir caminho para que combatentes curdos cruzassem a linha de fronteira com o Irão e avançassem em direção a cidades curdas no noroeste do país.
Paralelamente, a Mossad esperava que milhares de jovens curdos se juntassem aos combatentes, transformando-se num movimento de massa que poderia chegar até Teerão e acreditava que a movimentação ajudaria a fortalecer um movimento de protesto com milhões de manifestantes. Ora, nada disso aconteceu. O plano previa que o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad assumiria o controlo do país. Ahmadinejad, cuja passagem pela presidência foi muito contestada pelo ocidente, ter-se-á encontrado com o líder da Mossad, David Barnea, à margem de uma conferência académica na Hungria, para combinar pormenores.
Petróleo sem paciência
Nos mercados internacionais, o petróleo brent 'perdeu a paciência' e voltou a subir. Depois de ter cotado abaixo dos 80 dólares por barril até quarta-feira, esta quinta-feira subiu acima dos 82 dólares, quase 4% mais em relação ao dia anterior. Os analistas confirmam que, quanto mais demora a declaração conjunta, mais o setor petrolífero se convence que ela será difícil de conseguir - o que pode querer dizer que o acordo tem pouca viabilidade ou as partes envolvidas desconfiam das intenções da contraparte.