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Inflação - As voltas que os preços já deram

Puxados pelos combustíveis, os preços em março deram os primeiros sinais dos efeitos da guerra no Irão, tendo o índice do INE aumentado 2,71% face ao mesmo período do ano passado.

Mas não se pense que o custo do petróleo intoxicou, de rompante, os demais produtos e serviços do Índice de Preços no Consumidor. O INE, aliás, deixou claro que a aceleração, para já, é “quase na totalidade” explicada pelos preços nas bombas: a gasolina aumentou 6,23% num ano, enquanto o gasóleo disparou 16,3% (em ambos os casos, a variação homóloga era negativa em fevereiro). A inflação subjacente, que exclui produtos energéticos e alimentares não transformados, subiu apenas 2%. E basta ver o que aconteceu em categorias como os alimentos e bebidas não alcoólicas: um acréscimo de 3,65% num ano, mas a variação homóloga já era semelhante em fevereiro (3,56%) e em dezembro (3,47%).
Seja como for, o risco existe. Os combustíveis fósseis podem vir a contaminar tudo o resto. Vai depender, em grande medida, da duração do conflito. E no caso de vários produtos ou serviços, essa perspetiva é preocupante, por já estarem hoje num nível elevado. A categoria dos peixes e mariscos, por exemplo, disparou 9,19% no espaço de um ano. A culpa, diga-se, não é dos crustáceos: seja vivo, fresco, refrigerado ou congelado, o marisco subiu apenas 2,47% no mesmo período. Ou seja, as variações, incluindo numa mesma categoria, são muito amplas. Outro exemplo: os preços dos cereais, que tanto subiram após a invasão da Ucrânia, continuam a corrigir, tendo mesmo caído 4,82% no mês passado face a março de 2025 — ainda mais do que no mês anterior.

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