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Indiana Jones digital identifica obras de arte saqueadas na II Guerra Mundial

Uma equipa de três professores da Business School da Universidade de Santa Clara, EUA, está a desenvolver um chatbot de IA para identificar obras saqueadas pelos nazis durante a II Guerra Mundial.

Em março de 2024, a Organização Mundial de Restituição Judaica (WJRO, na sigla em inglês) revelou as conclusões de um relatório sobre a devolução de obras de arte saqueadas pelos nazis.

Mais de metade dos países que assinaram uma declaração que subscreve os Princípios de Washington – um conjunto de normas destinadas, precisamente, a orientar a devolução de obras de arte de que os nazis se apropriaram – fizeram “poucos ou nenhuns progressos” na devolução de bens roubados nos 25 anos que decorreram desde que os princípios foram redigidos, os quais incentivam os países a identificar e investigar bens culturais que possam ter mudado de mãos durante a II Guerra Mundial e a devolver obras que tenham sido saqueadas, confiscadas ou vendidas sob coação.

Recentemente, uma equipa de professores da Business School da Universidade de Santa Clara (SCU, na sigla em inglês), na Califórnia, publicou um artigo dando nota do fracasso de anteriores tentativas, lideradas por museus, de reunir dados sobre obras de arte saqueadas pelos nazis.

O passo seguinte foi a apresentação do recém-criado chatbot AI Provenance Research — um 'assistente de proveniência', i.e., uma ferramenta que permite a qualquer pessoa fazer perguntas sobre obras de arte saqueadas pelos nazis e receber respostas que têm por base informações recolhidas numa base de dados online pesquisável e ilustrada, com mais de 40 mil entradas.

O projeto da Business School da SCU envolve três investigadores: Michael Santoro, professor de gestão, e Haibing Lu e Michele Samorani, professores de sistemas de informação e análise de dados. Segundo noticiou a ArtnetNews, Michael Santoro, tomou em mãos o projeto quando soube dos esforços do seu amigo Timothy Reif, juiz do Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, para repatriar as obras de arte roubadas a um seu antepassado, o artista de cabaré vienense Fritz Grünbaum.

O trio de professores considera que a AI Provenance Research é uma ferramenta que vai permitir, aos investigadores, poupar tempo e analisar bases de dados dispersas e repletas de erros, muitas vezes em várias línguas, a uma velocidade anteriormente impensável. Ponto de partida? A base de dados do Projeto ERR sobre obras de arte que passaram pelo Museu Jeu de Paume, em Paris, aberta ao público desde 2010 e que reúne informação sobre mais de 40 mil objetos de arte roubados a judeus na França e Bélgica entre 1940 e 1944. Período da ocupação alemã, durante o qual o Jeu de Paume serviu de ‘canal de saída’ dessas obras para as mãos do partido nazi.

“Esta ferramenta de IA permite que qualquer pessoa escreva uma pergunta em linguagem humana natural, e esta seja automaticamente traduzida para código”, disse Lu num comunicado sobre o projeto. Aparentemente, ainda há muitas arestas a limar neste Assistente. A uma pergunta sugerida no comunicado e colocada pelo JE ao chatbot – Quantas obras de arte foram enviadas para líderes do partido nazi?” –, a resposta foi “0”. Outra pergunta: “Qual o artista mais referenciado nesta base de dados de obras de arte saqueadas pelos nazis?”. Resposta: Félicien Rops (432). Número real ou fantasioso?

A ambição da equipa é afinar e expandir a tecnologia a mais bases de dados, fornecendo a interface de programação back-end e IA de forma semelhante àquela que utilizaram para os dados do Jeu de Paume. Paralelamente, querem apostar em parcerias com especialistas na área de investigação de proveniência para aprenderem a estruturar alternativas de pesquisa e, também, a partilhar informação entre bases de dados através de algoritmos.