De acordo com os vossos dados, a impressão Profissional e industrial está a crescer mais do que as outras áreas de negócio da Konica Minolta Portugal, numa altura em que se fala da “morte do papel”?
Efetivamente, todas as áreas estão em crescimento. No entanto, nos últimos anos assistimos a uma profunda transformação da impressão profissional e industrial em Portugal. O setor conta hoje com menos empresas, mas mais especializadas, que têm vindo a repensar os seus modelos de negócio à luz das oportunidades criadas pela evolução tecnológica. Na verdade, o segmento evoluiu para um modelo assente em tiragens curtas, personalização, produção just-in-time e integração com estratégias omnicanal. Hoje, o impresso deixou de competir com o digital para passar a complementá-lo. O crescimento do marketing digital veio, paradoxalmente, reforçar a necessidade de materiais impressos diferenciadores e altamente personalizados. As marcas procuram cada vez mais experiências físicas que criem impacto, proximidade e diferenciação junto dos consumidores, o que tem impulsionado a adoção de soluções de impressão digital mais avançadas. A área de impressão profissional e industrial da Konica Minolta tem registado um crescimento acima da média. Não porque se imprima mais papel indiscriminadamente, mas porque cada projeto exige hoje maior qualidade, diferenciação e valor acrescentado.
Ou seja, a industria gráfica está a crescer, mesmo numa altura em que as empresas e os negócios estão cada vez mais digitais?
A indústria gráfica tradicional continua a investir na modernização dos seus parques tecnológicos. Têm surgido novas oportunidades em vários segmentos de negócio, como os rótulos, o packaging, a comunicação visual, a impressão têxtil e as aplicações industriais que têm ajudado a impulsionar a procura por soluções digitais mais flexíveis e capazes de suportar novas formas de produção e de criação de valor. Mais do que um crescimento sustentado apenas pela indústria gráfica tradicional, assistimos à evolução para um ecossistema mais diversificado, onde coexistem gráficas em processo de transformação digital, empresas de packaging, produtores de rótulos, especialistas em comunicação visual e organizações que recorrem à impressão como parte da sua estratégia de personalização e inovação.
"A área de impressão profissional e industrial da Konica Minolta tem registado um crescimento acima da média"
Como estão a usar a Inteligência Artificial no seu negócio?
Nos últimos anos, temos reforçado o investimento em data & AI, tanto na operação interna como nas soluções disponibilizadas aos clientes. Na prática, esta aposta traduz-se na automatização de workflows, na classificação e tratamento inteligente de documentos, na extração de informação relevante e no apoio à decisão com base em dados. O objetivo não é introduzir Inteligência Artificial por si só, mas integrá-la nos processos das organizações para simplificar tarefas, melhorar a qualidade da informação e libertar tempo para atividades de maior valor acrescentado.Os últimos dois anos marcaram uma nova fase deste percurso com um investimento mais estruturado no desenvolvimento e teste destas soluções. O foco passou por transformar o potencial da Inteligência Artificial em aplicações concretas, alinhadas com a estratégia europeia da Konica Minolta e orientadas para responder às necessidades reais das organizações. Em Portugal, temos igualmente assumido um papel relevante dentro do Grupo Konica Minolta no desenvolvimento e teste de projetos-piloto de Inteligência Artificial, contribuindo para a inovação e para a disseminação destas tecnologias a nível internacional.
Quais são os principais desafios que vêm pela frente para as PME portuguesas na modernização das suas operações?
As PME portuguesas enfrentam, antes de mais, um desafio de escala. Por isso, cada decisão de investimento tem de ser criteriosa e orientada para resultados concretos. Mais do que investir mais, o desafio passa por garantir “tiros certeiros”. O nosso papel passa por aproximar as PME das soluções tecnológicas mais adequadas à sua realidade, através de um acompanhamento que lhes permita concentrar recursos para desenvolverem o seu negócio.
E qual a previsão para 2026 em termos de facturação?
Este ano está a correr de forma positiva, em linha com os objetivos definidos. O crescimento continua a fazer parte da estratégia da Konica Minolta.Ao longo de 2026, temos assistido à consolidação dos investimentos realizados em Inteligência Artificial, automatização e gestão documental, que hoje se traduzem em ganhos concretos de produtividade, diferenciação e competitividade para os nossos clientes e para a própria organização.Estamos confiantes na continuidade desta estratégia de crescimento sustentável.
Qual a principal dificuldade do negócio em Portugal?
Apesar de a economia portuguesa continuar a demonstrar resiliência, o crescimento económico tem abrandado e a incerteza internacional continua a influenciar os níveis de investimento e de confiança empresarial.
E a expectativa para os próximos anos?
Para os próximos três anos a estratégia é reforçar a posiçãpo como parceiro tecnológico de referência das organizações portuguesas, ajudando-as a acelerar a transformação digital e a responder aos desafios de um mercado cada vez mais exigente e competitivo. Mais do que acompanhar a evolução do mercado, queremos liderá-la.