É verdade que a construção de casas novas, como já foi noticiado, atingiu um valor máximo desde 2010. Mas não foram sequer feitas 27 mil no ano passado, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Para comparação, houve anos em que se construíram cerca de três vezes mais: em 2003, houve 92 mil novos fogos e, nos anos seguintes, 2004 e 2005, mais de 70 mil. O número foi caindo todos os anos a partir daí até bater no fundo em 2015, com apenas 7 mil casas construídas.
No entanto, no ano seguinte, a tendência começou a inverter-se lentamente, e o número de novas casas tem aumentado progressivamente há 10 anos consecutivos. São grãos de areia, mas pelo menos a direção é a correta.
Por outro lado, um dado que tem passado debaixo do radar atesta que a alocação de recursos está longe de favorecer uma solução rápida para a crise na habitação. Se o problema está sobretudo nas grandes cidades, há outra alternativa que não seja construir em altura? Considerando sempre, naturalmente, o contexto em que esses edifícios se erguem — nomeadamente respeitando os centros históricos —, o país dificilmente conseguirá colocar um travão aos preços das casas se não forem encontradas soluções para a classe média e para as populações mais vulneráveis nos grandes aglomerados urbanos. “Oferta, oferta, oferta”.
Habitação. Portugal precisa de prédios, mas constrói moradias.
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Oferta. Oferta. Oferta”. O mantra de Álvaro Santos Pereira para resolver a crise que o país vive na habitação foi repetido esta quarta-feira na apresentação do boletim económico de março, mas, para já, os números não acompanham o discurso do governador do Banco de Portugal. Ou, quando muito, dão cobertura tímida a uma só palavra, não às três.