Skip to main content

Guerra no Médio Oriente: Trump joga ao ‘preço certo’ com o Irão

Perante a mais recente proposta envia da Teerão para Washington na tentativa de reavivar as negociações de paz, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que provavelmente rejeitará a proposta, uma vez que o Irão "ainda não pagou um preço suficientemente alto".

O regime de Terão enviou uma nova proposta para Washington no quadro da tentativa de reavivar as negociações para um entendimento entre as duas partes, mas o presidente dos Estados Unidos – que tem ameaçado com insistência voltar às armas – disse eu “provavelmente” a vai rejeitar, dado que o Irão “um preço suficientemente alto pelo que fizeram à humanidade e ao mundo nos últimos 47 anos”. Levada à letra, a declaração implica um regresso aos combates contra o Irão, ou pelo menos o avolumar das dúvidas sobre a possibilidade de um avanço diplomático.

As declarações de Trump surgiram no quadro de crescentes especulações sobre a possibilidade de os Estados Unidos lançarem novos ataques contra o Irão, visando forçar mais concessões, incluindo a suspensão do programa nuclear do país. O parceiro de coligação dos Estados Unidos, Israel, parece estar a responder a esta possibilidade: altos quadros militares israelitas disseram, citados por vários jornais, que estavam a preparar-se para os ataques. É convicção do governo israelita – sempre muito pouco entusiasmado com qualquer hipótese de paz – que um acordo sem o fim explícito do programa de enriquecimento de urânio do Irão simplesmente não é possível.

No Irão, a agência de notícias Fars citou um alto funcionário iraniano que afirmava que o regresso do conflito generalizado é "provável". Trump disse este fim-de-semana que o regresso da é possível: "Se eles se portarem mal, se fizerem algo mau, veremos".

O Irão apresentou na passada sexta-feira uma nova proposta de 14 pontos, por intermédio do Paquistão, com foco no levantamento dos bloqueios e num novo mecanismo para a gestão do estreito. A imprensa iraniana descreveu a proposta como um plano de paz abrangente a ser implementado em 30 dias, e não apenas um cessar-fogo. A proposta incluía o pagamento de indenizações a Teerão pelos danos da guerra, o levantamento das sanções e a cessação das hostilidades em todas as frentes, incluindo a do Líbano. Já ao início da noite deste domingo, fonte iraniana citada pela imprensa israelita afirmava que Teerão já tinha recebido uma resposta de Washington e que estaria a analisá-la.

A acrescentar ao tumultuo da guerra e das declarações (e contradições) das palavras do presidente dos Estados Unidos, junta-se um outro problema cada vez mais próximo: a necessidade de, 60 dias depois do início da guerra, a administração ter de pedir ao Congresso autorização para a continuar. Trump já de mostras de estar a fazer tudo para ultrapassar essa obrigação, mas arrisca ficar ‘mal na fotografia’, numa altura em que as eleições intercalares do novembro estão cada vez mais próximas e o apoio da população ao presidente nunca ter sido tão baixo. Além disso, a guerra não é popular nos Estados Unidos. Em carta enviada ao congresso, Trump argumentou o cessar-fogo significava que os combates "terminaram" – na tentativa de conseguir uma espécie de paragem na contagem dos 60 dias.

 

Entretanto, no Líbano

No domingo, Israel ordenou que milhares de pessoas deixassem aldeias no sul do Líbano, e o Ministério da Saúde libanês informou que 20 pessoas foram mortas e 46 ficaram feridas em ataques israelitas ao longo de 24 horas, de sábado para domingo.

O Líbano e Israel concordaram com uma trégua (separada da que foi acordada entre Irão e EUA) no mês passado, mas os combates continuaram sem interrupção, embora em menor escala. O exército israelita emitiu um alerta urgente no domingo para os moradores de 11 cidades e vilas no sul do Líbano.

Os militares disseram que estavam a realizar operações contra o Hezbollah, que acusaram, como em todos os outros dias anteriores desde o cessar-fogo, de violação que foi acordado com o Líbano.