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Guerra contra o Irão: “inferno” está desta vez previsto para terça-feira

O presidente dos Estados Unidos anunciou ataques maciços para o segundo dia desta semana se o Estreito de Ormuz não for reaberto pelos iranianos. No quadro de uma guerra em que alguns dos participantes parecem estar a perder discernimento, a OPEP diz que vai aumentar a produção - mas não sabe como.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nas redes sociais, este domingo, que o exército norte-americano atacará as sempre citadas centrais de energia, a que desta vez acrescentou outras importantes infraestruturas, as pontes, se o Irão não reabrir o Estreito de Ormuz esta segunda-feira. Os ataques a energias e pontes ficam por isso marcados para amanhã, terça-feira, depois de terem estado anteriormente marcados para a semana passada, para um dia que já ninguém consegue precisar. Talvez fosse quarta-feira.

"Terça-feira será o Dia da Central Elétrica e o Dia da Ponte, tudo junto, no Irão. Não haverá nada igual!!!", escreveu Trump nas redes sociais, referindo-se à importante rota marítima que Teerão efetivamente fechou desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques há mais de um mês. "Abram o filho da p… [tradução livre] do Estreito, seus bastardos malucos, ou vocês vão viver no inferno - AGUARDEM SÓ!", escreveu Trump com expertise, encerrando o post, redigido na manhã de Páscoa, com um "louvado seja Alá". O presidente afirmou também que realizará uma conferência de imprensa esta segunda-feira na Sala Oval, tendo como assunto, parece, o resgate de dois pilotos norte-americanos cujas aeronaves foram abatidas no espaço aéreo do Irão.

Esta matéria também mereceu curiosas afirmações do presidente dos Estados Unidos: “CONSEGUIMOS! Compatriotas, nas últimas horas, as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram uma das operações de busca e salvamento mais ousadas da história americana, para resgatar um dos nossos incríveis oficiais, que também é um coronel altamente respeitado, e que tenho o prazer de informar que agora está SÃO E SALVO!”. “Sob minhas ordens, as Forças Armadas dos EUA enviaram dezenas de aeronaves, armadas com as armas mais letais do mundo, para o resgatar. (…) Esta milagrosa operação de busca e salvamento soma-se ao resgate bem-sucedido de outro bravo piloto ontem, que não confirmámos para não comprometer a nossa segunda operação de resgate. Esta é a primeira vez na história militar que dois pilotos americanos foram resgatados, separadamente, em território inimigo. JAMAIS ABANDONAREMOS UM COMBATENTE AMERICANO! O fato de termos conseguido realizar ambas as operações sem que UM ÚNICO americano fosse morto ou sequer ferido comprova, mais uma vez, que conquistamos domínio e superioridade aérea absolutos sobre o espaço aéreo iraniano. Este é um momento que TODOS os americanos, republicanos, democratas e todos os demais, devem celebrar com orgulho e união. Temos, de facto, as melhores, mais profissionais e letais Forças Armadas da história mundial. DEUS ABENÇOE A AMÉRICA, DEUS ABENÇOE AS NOSSAS TROPAS E FELIZ PÁSCOA A TODOS!”, escreveu.

Do seu lado, o regime iraniano afirmou que não houve resgate nenhum e que o salvamento falhou. Negando as declarações de Trump, o regime teocrata afirmou que as suas tropas frustraram com sucesso a tentativa de resgate: "as aeronaves invasoras inimigas no sul de Isfahan, incluindo dois helicópteros Black Hawk e um avião de transporte militar C-130, foram atingidas (...) e a tentativa de resgate do piloto falhou", declarou o Coronel Ebrahim Zolfagari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, segundo a agência de notícias Tasnim. E é isto.

 

Entretanto, no Líbano

Bem mais a sério que esta espécie de guerra de pantomina em que Donald Trump está a transformar a investida sobre o Irão, um ataque aéreo israelita em Kfarhata, uma vila no sul do Líbano, matou sete pessoas no domingo de Páscoa, incluindo uma criança de quatro anos, informou o Ministério da Saúde do país em comunicado. Outro ataque ao bairro de Jnah, em Beirute, matou quatro pessoas e feriu outras 39. O ataque a Kfarhata ocorreu após uma ordem de evacuação emitida durante a noite pelo exército israelita, instruindo os moradores para deixarem a vila.

Enquanto os cristãos libaneses, que representam cerca de um terço da população, celebravam o Domingo de Páscoa, o país viveu um dos seus mais violentos dias desde o início dos confrontos com Israel. Ao longo do dia, Beirute esteve sob ataques aéreos e o ruído de aviões voando a baixa altitude sobre a cidade foi constante. Os subúrbios do sul da capital foram atingidos por oito ataques aéreos.

A mesma fonte informou que 1.461 pessoas foram mortas em ataques israelitas no Líbano desde 28 de fevereiro e até domingo – dos quais quatro centenas seriam soldados do Hezbollah.

 

OPEP aumenta produção. Ou talvez não

A OPEP+ concordou este domingo em aumentar as suas cotas de produção de petróleo em 206 mil barris por dia para maio, um aumento modesto que existirá em grande parte apenas no papel, já que seus principais membros não podem aumentar a produção devido à guerra entre os Estados Unidos e Israel com o Irão. A guerra e o fecho do Estreito de Ormuz reduziu as exportações dos membros da OPEP+ Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, os únicos países do grupo que conseguiram aumentar significativamente a produção mesmo antes do início do conflito.

O aumento da quota da OPEP+ em 206 mil barris por dia representa menos de 2% da oferta interrompida pelo fecho do Estreito de Ormuz, mas sinaliza a prontidão para aumentar a produção assim que passagem estiver desimpedida, disseram fontes da OPEP+ citadas pela imprensa internacional.

A consultoria Energy Aspects classificou o aumento como meramente "académico" enquanto persistirem as interrupções no estreito. "Na realidade, isso adiciona muito poucos barris ao mercado", disse Jorge Leon, ex-funcionário da OPEP que agora trabalha como chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, citado pela agência Reuters.  "Enquanto o Estreito de Ormuz estiver fechado, barris adicionais da OPEP+ são praticamente irrelevantes".

Oito membros da OPEP+ concordaram com o aumento das quotas em maio. Além das interrupções que afetam os membros do Golfo, outros países, como a Rússia, não conseguem aumentar a produção – no caso de Moscovo, devido às sanções ocidentais e aos danos às infraestruturas causados pela Ucrânia. No Golfo, os danos causados às infraestruturas por ataques de mísseis e drones também foram severos. Diversas autoridades do Golfo afirmaram que a retoma das operações normais demorará meses.

O grupo OPEP+ é composto por 22 membros, incluindo o Irão. Nos últimos anos, apenas os oito países que se reuniram este domingo - Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã – participaram nas decisões mensais de produção, tendo começado em 2025 a reverter os cortes de produção anteriormente acordados. Estes oito países aumentaram as quotas de produção em cerca de 2,9 milhões de barris por dia, de abril de 2025 a dezembro de 2025, antes de suspenderem os aumentos de janeiro a março de 2026. Os oito realizarão a próxima reunião a 3 de maio.