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Fusão da Galp com espanhóis concluída no segundo semestre

Nova previsão de conclusão do negócio foi hoje anunciada. Companhia portuguesa viu margem de refinação disparar 175% no segundo trimestre com a guerra no Médio Oriente.

A fusão de parte do negócio da Galp com os espanhóis da Moeve só fica concluída no segundo semestre, anunciou hoje a companhia.

“As discussões com os acionistas da Moeve continua, a progredir construtivamente, com todas as partes comprometidas em avançar com uma transação que vai criar significante valor estratégico e financeiro”, disse a companhia esta segunda-feira.

Assim, está previsto que um “acordo potencial” deverá ser assinado na segunda metade deste ano.

“O foco da Galp permanece em assegurar que qualquer transação criar valor de longo-prazo para todas as partes interessadas e providenciar um apropriado quadro financeiro, operacional e de governança para o negócio”, pode-se ler.

A refinaria de Sines abastece 90% dos combustíveis consumidos em Portugal, sendo crucial para a independência energética do país. É a maior empresa exportadora a nível nacional.

A Moeve é controlada maioritariamente pelos emiratis da Mubadala (70%), com o restante a ser controlado pelo fundo norte-americano Carlyle.

Os postos de combustível das duas empresas vão ficar numa sociedade – RetailCO – detida em partes iguais pelas duas companhias. Já as refinarias vão ficar na sociedade RetailCO, onde a Galp fica com 20% e a Moeve com 80%.

Governo avisa que há duas “linhas vermelhas” no negócio da refinaria de Sines

O executivo de Luís Montenegro disse recentemente que tem “duas ferramentas” para garantir que a refinaria de Sines vai ficar aberta após a operação entre a Galp e os espanhóis da Moeve.

“O Governo está a fazer o seu trabalho. O facto de os investidores e acionistas serem de fora da Europa dá-nos algumas capacidades legais de atuar, temos poder para isso legalmente. Por outro lado, somos acionistas em mais de 8%. São as duas ferramentas que temos para atuar”, começou por dizer Maria da Graça Carvalho em audição no Parlamento a 1 de julho.

“Queremos garantir duas condições. Uma, que continuemos a ter uma refinaria em solo português. Duas, que em situação de crise essa refinaria tem Portugal como principal objetivo de fornecimento. Sai um pouco das regras de mercado, mas é isso que queremos garantir. São as nossas linhas vermelhas: a localização e a situação de crise”, de acordo com a ministra.

Sobre a primeira ferramenta ao dispor do Governo para colocar pressão sobre a Galp e a Moeve, a governante destacou as “diretivas europeias e a legislação nacional” sobre ativos estratégicos e por se tratar de “acionistas de fora da Europa”, referindo-se aos acionistas da Moeve: Mubadala, fundo de Abu Dhabi, e Carlyle, fundo americano. “Podemos ter um poder reforçado neste diálogo”.

“Estamos a trabalhar com os nossos juristas, com vários gabinetes, coordenados com o ministro das Finanças para ver quais são as possibilidades”, acrescentou na audição.

A passagem da refinaria de Sines para uma sociedade controlada maioritariamente pelos espanhóis da Moeve está a ser fortemente criticada pela Comissão de Trabalhadores (CCT) da Galp.

“A posição da CCT mantém-se inequívoca: o negócio Galp/Moeve coloca em causa a soberania energética nacional, a continuidade da Refinaria de Sines e os postos de trabalho de quem nela trabalha”, segundo comunicado recente da CCT.

Já a empresa defende que a “complementaridade destes ativos só vem reforçar a garantia de abastecimento, que é o mais importante quando falamos em soberania. Portugal e Espanha vão continuar a ter plataformas resilientes e duradouras do ponto de vista industrial, capazes de competir a nível europeu e mundial”, disse ao JE o co-CEO João Diogo Marques da Silva em março.

“E é essa capacidade para competir, e de sermos campeões europeus também neste setor industrial, que vai dar resiliência e que vai dar competitividade à nossa economia”, defendeu o gestor.

Margem de refinação da Galp dispara 175% no segundo trimestre

A companhia anunciou hoje que a margem de refinação disparou 175% no segundo trimestre face a período homólogo, refletindo a valorização registada nos mercados internacionais durante a guerra EUA/Israel-Irão. Face ao trimestre anterior subiu 14%.

A margem de refinação é a diferença entre os custos de refinação e os preços de venda grossista no mercado.

Durante este período, os preços do petróleo dispararam mais de 50% face a 2025 com o barril de Brent a atingir quase 104 dólares, com a subida trimestral a ser quase de 30%.

A produção da Galp subiu 12% para 127 mil barris diários.

A quantidade de matéria-prima processada subiu 7% para 21,1 milhões de barris. Já o fornecimento de produtos petrolíferos caiu 5% para 3,9 milhões de toneladas.

As vendas de produtos petrolíferos no retalho caiu 5% para 1,8 milhões de toneladas. Já as vendas de gás e de eletricidade subiram 11% e 21%, respetivamente.

Nas energias renováveis, a capacidade instalada disparou 40% par 2,3 gigawatts, com a venda de eletricidade renovável vendida a subir 12%.

A companhia divulga os resultados trimestrais financeiros a 27 de julho.