A Companhia de Seguros Fidelidade reportou em 2025 um resultado líquido consolidado de 201 milhões de euros o que traduz uma subida de 15,8% face a 2024.
Os prémios brutos emitidos atingiram 6.529 milhões de euros, um aumento de 5,8% face a 2024, com contribuições equilibradas entre os segmentos Não-Vida (52%) e Vida (48%). Portugal representou 70% do total, enquanto as operações internacionais cresceram para 30%.
O resultado líquido consolidado alcançou 201 milhões de euros (+15,8%), enquanto o resultado líquido ajustado (excluindo eventos extraordinários) subiu para 338 milhões de euros, traduzindo um ROE recorrente de 13,0%. Os ativos sob gestão atingiram 21.225 milhões de euros (+10,8%). O rácio combinado situou-se em 95,7% (+4,9 p.p.).
A Fidelidade reforçou a sua posição de liderança no mercado português, com uma quota de 28,1% nos prémios brutos emitidos totais (29,6% no Não-Vida e 26,7% no Vida, ambas em primeiro lugar), e 25,6% nas provisões matemáticas do negócio Vida.
A seguradora lembra que a solidez financeira foi reconhecida pelos ratings já que a Fitch manteve o ‘A+’ IFS e ‘A’ IDR (o mais elevado atribuído a empresas nacionais), enquanto a S&P Global Ratings atribuiu pela primeira vez ‘A’ em ambos os indicadores, com outlook estável.
Num ano marcado por eventos dramáticos – como a tragédia do Elevador da Glória em Lisboa, a Tempestade Martinho e diversas inundações e incêndios florestais –, a Fidelidade diz que "cumpriu a sua missão de proximidade com clientes e empresas. Esse compromisso esteve sempre no centro das nossas decisões, fossem elas financeiras, operacionais ou estratégicas”, sublinha o Presidente do Conselho de Administração, Jorge Magalhães Correia.
As operações internacionais registaram um crescimento de 7,3%, atingindo cerca de 1.969 milhões de euros em prémios – um salto de dez vezes em dez anos –, reforçando a diversificação geográfica como pilar de resiliência.
No setor da saúde, o Grupo Luz Saúde alcançou receita de 804 milhões de euros (+10,1%) e resultado líquido de 62 milhões de euros (+65,7%). A Fidelidade destaca o acordo com a Macquarie Asset Management para a venda de 40% do capital da Luz Saúde, numa operação que avaliou a empresa em mais de 1,1 mil milhões de euros (Enterprise Value), abrindo novas oportunidades de crescimento.
A Luz Saúde, que a Fidelidade detinha a 100%, apenas foi formalmente vendida a 40% ao Grupo Macquarie em janeiro de 2026.
“Reforçámos a nossa vocação de sermos um Grupo cada vez mais global”, afirma Jorge Magalhães Correia, destacando o investimento em soluções de longevidade que acompanham as pessoas em todas as etapas da vida.
Perspetivas para 2026
O ano de 2026 marca o início de uma nova fase, simbolizada pela mudança para a nova sede em Entrecampos, Lisboa – um edifício mais sustentável, aberto à comunidade e desenhado para fomentar colaboração e inovação, diz a Fidelidade no Relatório e Contas.
A CEO da Fidelidade, Rogério Campos Henriques sublinha que no evento “Pensar Maior” foram definidas metas claras: atingir 10 mil milhões de euros em prémios, servir 15 milhões de clientes e gerir 25 mil milhões de euros em ativos sob gestão. O foco mantém-se no aumento do retorno sobre o capital, com ambição de ROE entre 13% e 15%, níveis robustos de solvência e aprofundamento da estratégia de longevidade.
“Entramos em 2026 conscientes da incerteza do contexto económico e geopolítico, mas confiantes na trajetória que traçámos. As prioridades estão claras, os objetivos definidos e dispomos hoje de capacidades – humanas, tecnológicas e financeiras – que nos permitem olhar para o futuro com ambição”, conclui o CEO da Fidelidade, Rogério Campos Henriques.
Com 14.434 colaboradores (dos quais 7.048 no Grupo Luz Saúde) e uma redução de 14% nas emissões de âmbito 3 (categoria 15) desde 2022, a Fidelidade diz que reforça o seu compromisso ESG, mantendo ratings de baixo risco em Sustainalytics e alinhamento em Sustainable Fitch.
"O Grupo entra no novo ciclo com bases sólidas, pronto a continuar a crescer de forma sustentável e a colocar os clientes no centro de todas as decisões", refere a companhia.
Dividendos aos acionistas
Na convocatória para a Assembleia-geral publicada nesta segunda-feira, a Fidelidade propõe distribuir em dividendos cerca de 100 milhões de euros aos acionistas - a Fosun (que tem 85% do capital) e a Caixa Geral de Depósitos (15%). Isto numa altura em que estão a estudar a entrada em bolsa do grupo Fidelidade.