“Insulto à história”, “destruição do mito”, “não é um cavalo rampante”. Choveu um mar de críticas sobre o novo Ferrari elétrico. O design foi da responsabilidade do ex-chefe de design da Apple Jony Ive, a piscar o olho a Silicon Valley e ao mercado chinês. Mas chocou a aristocracia automobilística italiana, numa luta entre ‘new’ e ‘old money’.
“Espero que removam o cavalo rampante do carro. Arriscamos a destruição de um mito”, afirmou Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari entre 1991 e 2014, conhecido como o homem que salvou a Ferrari.
A polémica chegou ao próprio Governo italiano. “Estupidamente caro (550 mil euros!) e, de um ponto de vista estético, fala por si próprio... parece tudo menos um carro do cavalo rampante”, disse o ministro dos Transportes de Itália, Mateo Salvini.
E nem a oposição se furtou às críticas. “OFerrari Luce é um insulto estético e tecnológico aos que amam a Ferrari”, disse o deputado italiano Carlo Calenda, que trabalhou na marca durante cinco anos.
Mas apenas dois meses depois do polémico lançamento, e com a poeira já assente, eis que a marca transalpina anuncia que já atingiu a meta de vendas para este ano: 500 unidades.
A forte procura da China contribuiu para as vendas do novo modelo, assim como o interesse dos empresários do setor tecnológico norte-americano.
Até 2030, a expectativa é vender 2.500 modelos 100% elétricos, cerca de 600 por ano, pesando 5% nas vendas totais da marca.
Apesar do piscar de olho a um novo tipo de clientes, os vendedores da marca tiveram ordens estritas: não tentar impingir a venda do Luce aos compradores tradicionais de carros térmicos da marca.
A companhia garante que a aposta no modelo elétrico também não vai prejudicar a sua margem operacional de 30%, invejada pela indústria, dados os volumes limitados do modelo.
“O marketing da Ferrari e o insight dos clientes da Ferrari estão noutro planeta face aos seus concorrentes”, disse ao “Financial Times” o analista de marcas automóveis de luxo Scott Sherwood.
E a Ferrari pode vir a beneficiar do disparo nas fortunas dos novos milionários ligados à febre da Inteligência Artificial (IA), destaca a Jefferies.
Apesar do piscar de olho a um novo tipo de clientes, os vendedores da marca tiveram ordens estritas: não tentar impingir a venda do Luce aos compradores tradicionais de carros térmicos da marca.
A companhia garante que a aposta no modelo elétrico também não vai prejudicar a sua margem operacional de 30%, invejada pela indústria, dados os volumes limitados do modelo.
“O marketing da Ferrari e o insight dos clientes da Ferrari estão noutro planeta face aos seus concorrentes”, disse ao “Financial Times” o analista de marcas automóveis de luxo Scott Sherwood.
E a Ferrari pode vir a beneficiar do disparo nas fortunas dos novos milionários ligados à febre da Inteligência Artificial, destaca a Jefferies.
O próprio presidente da Ferrari já reconheceu que as fortunas da IA são uma “boa oportunidade” para a Ferrari, com a empresa a reunir muito interesse “de todos os tipos de clientes, não só da situação de IA, para personalizar mais os carros”.
A marca já fechou todas as vendas para o ano de 2027. Para este ano, reviu em alta a sua expectativa para o lucro operacional para 2,22 mil milhões de euros.
A personalização dos modelos está em alta, como no caso do 296 Speciale que está a gozar de “níveis muito elevados de personalização, especialmente nos EUA”.
“Um bom nível de resultados e um pequeno aumento no guidance são certamente bem-vindos depois de preocupações com a saúde do consumidor de luxo e o ritmo da margem da Ferrari”, disse o analista da Bernstein Stephen Reitman.
A personalização dos modelos já pesa mais de 20% nas receitas totais anuais da marca italiana.
Alguns ferraristas pensam que a compra do Luce dá-lhes pontos para subir no ranking da lista de lealdade da marca. Para conter o rumor, a própria empresa deu ordens aos seus vendedores para evitar qualquer sugestão nesse sentido.
Mas um vendedor da Ferrari na China disse ao “FT” ter ouvido que a compra do Luce vinha com “créditos muito atrativos, mais elevados do que aqueles para os carros a combustão. Isto torna mais fácil a qualificação para a compra de certas edições limitadas”.
Os analistas da Bernstein destacam que os clientes podem assumir que a compra do Luce é uma “forma muito boa de sinalizar à Ferrari que acreditam na missão.”
Ferrari elétrico brilha na China e Silicon Valley
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Marca italiana já atingiu a meta de vendas, apesar do início atribulado, com muitas críticas ao novo modelo, numa luta de ‘old money vs. new money’.