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Fed: Apesar de não mexer nos juros, Warsh garante que não irá vacilar perante a inflação

"Vamos cumprir o objetivo estipulado de 2%", resumiu, lembrando que a credibilidade do banco central depende da sua capacidade de cumprir o seu mandato e objetivos. No entanto, e face a uma inflação de 3,5% na leitura mais recente, os juros não mexeram - contra a vontade de três dissidentes.

Apesar da inflação se manter consideravelmente acima do objetivo de 2% – reconfirmado pelo novo presidente da Reserva Federal – e de Warsh ter garantido que não iria dar tréguas na luta contra a pressão nos preços, os juros diretores nos EUA ficaram sem mexidas pela quinta reunião consecutiva esta quarta-feira. Houve dissidentes na decisão, que preferiam uma subida de 25 pontos base (pb), mas, dada a comunicação agora telegráfica da Fed, a sua interpretação torna-se menos fiável.

As taxas diretoras para a maior economia do mundo permanecem assim entre 3,5% e 3,75% após cinco reuniões sem mexidas, as duas últimas já sob a liderança de Kevin Warsh, que voltou a garantir que iria fazer regressar a estabilidade de preços após vários anos com o indicador acima do objetivo da Fed de 2%.

“Vamos cumprir o objetivo estipulado de 2%”, atirou, reforçando que “esta Fed não hesita. A nossa credibilidade depende no cumprimento das nossas responsabilidades”.

Recorde-se que o mercado colocava em questão se o novo presidente iria rever este valor como objetivo para o indicador de preços, uma dúvida que Warsh parece ter procurado encerrar esta quarta-feira. Na anterior reunião de política monetária, havia falado num “intervalo” quando questionado se pretenderia manter os 2%, sugerindo que poderia estar aqui mais uma mudança na forma de operar do banco central.

Ainda assim, e apesar de não ter subido as taxas diretoras, o presidente denotou que “as taxas [de mercado] estão mais altas do que há 48 dias”, ou seja, aquando da anterior reunião de política monetária.

“Acho que é uma representação desadequada dizer que os mercados não reagiram porque não subimos taxas hoje. A política monetária interessa não só pelo dizemos ou fazemos, mas também por como afetamos a economia real. E os preços nos mercados financeiros são uma muitas das vias pelas quais afetamos a economia real”, expôs.

A análise da Pantheon Macro classifica a próxima reunião, em setembro, como “crítica”, dado que “os investidores atribuem agora uma probabilidade de três em quatro a uma subida”. Por outro lado, a nota fala em “poucos sinais de que o choque energético se esteja a traduzir num acumular mais transversal de pressões inflacionistas, enquanto a maior parte dos indicadores sugerem que o mercado laboral continua frágil”.

Outro aspeto que Warsh trouxe foi o de uma comunicação consideravelmente mais resumida, mas em que o resultado da votação é tornado explícito na nota à imprensa e mercados. Neste caso, houve três dissidentes que votaram a favor de uma subida de 25 pontos base (pb), contra nove governadores que queriam manter os juros inalterados.

Os dissidentes são todos governadores de bancos centrais regionais, mais especificamente da Fed de Cleveland, de Minneapolis e de Dallas, em linha com as suas declarações ao longo das últimas semanas.

Contudo, Warsh voltou a falar numa “boa discussão familiar”, como havia projetado na anterior reunião. “Esta é a melhor forma de acertarmos na política”, argumentou, garantindo ainda que “não houve nada de não-natural neste debate”. Pelo contrário, houve sobretudo “muitos pontos de acordo nas principais questões” entre os governadores.