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Exportações alemãs crescem inesperadamente em maio à boleia dos EUA

Os analistas anteviam uma queda do indicador em cadeia, mas este avançou 0,9%, mantendo a trajetória dos meses anteriores. Vendas para os EUA subiram 23,1% e a China também acelerou, compensando a queda entre destinos intra-UE. Este é mais um sinal de otimismo para o motor económico europeu, paralisado por uma crise estrutural nos últimos anos.

As exportações alemãs cresceram em maio contra a expectativa do mercado, isto apesar do choque energético e da incerteza criada pelo conflito no Médio Oriente. As vendas para o exterior subiram 0,9% em cadeia e muito à custa dos EUA, para onde a Alemanha exportou mais 23,1% do que no mês anterior.

Foi o quarto mês consecutivo de subidas nas vendas alemãs para o exterior, que chegaram assim a 137,9 mil milhões de euros à boleia dos mercados extracomunitários, para onde as exportações subiram 3,6%, compensando a queda de 1,1% entre países da UE. Esta leitura constitui uma aceleração em relação aos 0,8% registados no mês anterior, um valor revisto em baixa de 0,9% na divulgação preliminar.

Este foi um novo máximo desde setembro de 2022. Em contraste, os analistas consultados pela FactSet apontavam para uma descida de 1%.

“Estes são sinais animadores para a economia alemã, ainda que certos sectores continuem numa crise profunda”, afirmou o chanceler Friedrich Merz aos deputados do Bundestag na quinta-feira.

Os EUA mantiveram-se como o principal destino das exportações alemãs, isto apesar da tensão em torno da maior economia do mundo, envolvida num conflito contra o Irão, tendo crescido uns impressionantes 23,1%. Na mesma linha, as vendas para a China também cresceram 7,1%.

Em sentido contrário, as importações alemãs caíram 2,5% em comparação com o mês anterior, o que significa que o superavit comercial crónico do motor económico europeu cresceu de 14,7 mil milhões de euros em abril para 19,1 mil milhões em maio.

A análise da Pantheon Macro explica que “é possível que a subida dos preços da energia tenha funcionado como dissuasão às importações, com os inventários domésticos a servirem de amortecedor”.

Este é mais um sinal de otimismo quanto à performance alemã este ano, depois de ser sabido que a produção industrial também havia crescido em maio. O indicador subiu 0,9% em cadeia depois de ter avançado 0,2% em abril, dando força à ideia que o pior da crise alemã já terá passado.

Também as encomendas industriais haviam crescido no mês de maio, avançando 1,9% após uma queda de 3,8% no mês anterior. Excluindo grandes encomendas, o indicador conseguiu manter a trajetória, subindo 1%. Ainda assim, , o indicador a três meses continua a ver uma ligeira contração de 0,2% no período entre março e maio, embora neste período se registe um aumento de 4,1% se excluídas as grandes encomendas.

“A indústria alemã parece ter escapado [à guerra no Médio Oriente] com pouco mais do que um olho negro”, escrevem os analistas do banco ING, isto apesar das tensões experienciadas ao nível das cadeias de valor.