Já há quem esteja a prever em Wall Street o petróleo a descer para os 60 dólares até ao final deste ano.
A previsão é dos analistas do banco Citi que acreditam que a produção de petróleo vai atingir um excesso face à procura após o aparente fim da guerra do Irão.
O barril de Brent ganha hoje 3% para 74 dólares, mas já recuou mais de 23% no espaço de um mês, após o acordo preliminar de paz entre os EUA e o Irão.
A cotação de fecho mais elevada este ano foi atingida a 4 de maio: 114 dólares. Desde então, o crude já caiu 35%. Uma descida para os 60 dólares representaria uma queda de mais de 47%.
Os analistas acreditam que existem boas razões para o memorando de entendimento assinado em meados de junho manter-se.
A subida na produção vai colocar uma pressão baixista nos preços de petróleo no segundo semestre deste ano.
"Esperamos que o acordo se mantenha", escreveram os analistas citados pelo "Financial Times", acreditando que não existem incentivos ao incumprimento por nenhum dos lados, considerando que tudo aponta para "estabilização" em vez de "nova confrontação".
Os volumes transportados pelo estreito de Ormuz já aumentaram para 7 milhões de barris por dia, face aos 15 milhões antes do conflito. Mas os analistas acreditam que os volumes são superiores ao registado nos dados oficiais, pois muitos navios desligam os seus sistemas para não serem detetados, por razões de segurança.
A dinâmica de oferta-procura nos mercados petrolíferos permanece estruturalmente "suave", com os stocks capazes de atingirem excessos significativos caso os produtores acelerem a produção.
Após o início da guerra a 28 de fevereiro, o preço do Brent atingiu a 30 de abril um máximo desde 2022: 126 dólares por barril, mas tem vindo a recuar, em particular, desde que o acordo foi assinado em meados de junho.
O Citi está mais otimista com o preço do petróleo face ao restante mercado. Em Wall Street, espera-se que o barril atinja os 78 dólares por barril, segundo a "Bloomberg".
O Goldman Sachs já cortou a sua previsão para este ano para os 80 dólares para o barril, com a produção no Golfo Pérsico a arrancar em força. Mas esta estimativa tem em conta um regresso a níveis pré-guerra até ao final de julho.
Mesmo assim, num cenário mais otimista, o petróleo pode atingir 60 dólares no final deste ano, mas isto só aconteceria se os níveis pré-guerra fossem atingidos no início de julho, e se a produção global ficar acima do esperado, em mais de um milhão de barris por dia, e se a procura for mais fraca.