A Castellana Properties terminou o primeiro ano fiscal completo em Portugal em março de 2026, com todos os ativos do portefólio atual no país: 8ª Avenida, Alegro Sintra, LoureShopping, RioSul e Forum Madeira, que contribuíram para o lucro global de 168 milhões de euros, mais 85% em relação ao exercício anterior.
Em entrevista ao Jornal Económico, Alfonso Brunet, CEO da Castellana Properties fala da valorização dos ativos em Portugal e de como a empresa está apostada em continuar a investir no país, bem como as diferenças para o mercado espanhol.
O recorde de 168 milhões ficou dentro dos vossos objetivos ou superou as expetativas?
Superaram sem dúvida. Houve muitas movimentações de mercado durante os dois últimos anos, onde fizemos várias aquisições. O nosso ano fiscal acabou em março de 2026, mas entramos em Portugal em 2025, onde fizemos várias aquisições e isso acabou por trazer melhores resultados do que tínhamos previsto inicialmente. Isto também confirma que as compras que temos feito foram boas, especialmente as de Portugal.
Nestes oito meses em que somos proprietários dos centros comerciais que compramos em Portugal e onde investimos em 2025, com valores de 2026 já valorizamos esses ativos em 83 milhões de euros. Desde que os compramos as vendas aumentaram 7%, 8%. E isso tem muito a ver com o modelo de gestão que temos e, sobretudo, internalizado e com com gente própria da casa.
Que diferenças encontra entre o mercado de Portugal e Espanha?
Nos centros comerciais são similares. Um pouco da razão por que entramos em Portugal, é por essas sinergias, porque há muita coincidência de operadores.
Temos muitas marcas portuguesas, mas quando falamos de um centro comercial, praticamente diria que 60 ou 65% das marcas coincidem com marcas internacionais, não porque sejam espanholas, mas porque são internacionais e coincidem nos dois mercados.
Em Espanha o que se vende em espaços para centros comerciais é entre 18% e 20% e em Portugal está entre 25% e 30%.

Porque achas que se vende mais em Portugal do que em Espanha? É uma questão de preços?
Não, é porque há mais lojas em centros comerciais do que no comércio de rua.
No último ano fizeram 45 renovações de contratos e 33 novos. No futuro o objetivo é fazer mais novos contratos do que renovações?
Depende do ano. Nós temos muito claro quando começa o ano, quantas renovações vamos fazer ao longo do ano. A boa notícia é que normalmente sempre renovamos os contratos que consideramos que são boas marcas para manter um bom mix comercial nos centros comerciais.
Que estratégia tem para 2027 de investimento e estratégia de mercado?
Os mercados estão um pouco mais ativos. Uma coisa que fizemos muito bem no passado foi entrar no momento oportuno e prova disso foi as valorizações dos ativos que temos nos centros comerciais em Portugal. Acredito que continuam a existir oportunidades em Portugal, apesar do mercado não estão a trazer centros comerciais para venda, mas estamos atentos e queremos continuar a crescer.
Em Espanha é um pouco mais complicado porque há mais concorrência no mercado de investimento e acredito que vá ser um pouco mais difícil, porque há muito mais competência e porque as taxas de rentabilidade estão mais apertadas. Mas cremos que há oportunidades em Portugal e é onde estamos a focar-nos mais para crescer.
Entretanto se não podemos comprar algo durante este ano fiscal temos muitos projetos para fazer expansões dos centros comerciais que requerem investimento e isso também faz crescer as rendas.
Em Portugal têm algum negócio próximo de ser fechado?
Estamos a analisar e estudar duas oportunidades, não quer dizer que vamos comprar, mas não posso revelar nada por questões de confidencialidade. Quem sabe depois do verão poderemos dizer alguma coisa.