Antes de começar o turno, às oito da manhã, Paula Gomes veste as luvas, prende o avental e ajusta os sapatos de biqueira de aço. Segundos depois, já está em frente à mesa de trabalho. À sua frente encontra-se um módulo de casa de banho, ainda incompleto, e que terá de ficar pronto para seguir viagem para um hotel, uma residência de estudantes ou um edifício de habitação. Esta semana, quando o Jornal Económico visitou a fábrica da Blufab, em Braga, a técnica, de 45 anos e com o sétimo ano de escolaridade, estava a colar cerâmica numa linha de produção. As peças chegam já cortadas à medida, mas isso não simplifica o trabalho. Cada azulejo tem de bater certo ao milímetro. Sobre a bancada está uma régua, um esquadro e um martelo. Paula mede, ajusta com precisão e volta a medir. “No final do dia tem de bater tudo certo”, diz a funcionária.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2025, o setor da construção civil tinha 372.600 trabalhadores, dos quais 33.400 do sexo feminino. Ou seja, em relação a 2024, há mais 1.100 mulheres a pôr ‘a mão na massa’. E, se compararmos com 2020, a evolução é significativa: dos 296.600 trabalhadores, apenas 21 mil eram mulheres. Ao lado de Paula está Teresa Gomes, de 38 anos. Com o 12º ano concluído, aprecia a forma como a empresa valoriza o crescimento: “Aqui há espaço para desenvolver a carreira profissional”, diz. O trabalho exige precisão. “Se nos enganarmos na medida não conseguiremos montar o módulo”, explica.
Elas trocaram os saltos altos por biqueiras de aço
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O setor da construção deixou de ser um mundo só de homens. Há cada vez mais arquitetas, engenheiras e técnicas em chão de fábrica. Em 2025, eram 33.400 mulheres, um crescimento de 1.100 face ao ano anterior. E se recuarmos a 2020, a diferença é ainda mais expressiva: o setor apenas empregava 21 mil mulheres. Esta semana, o JE visitou a fábrica da Blufab, do Grupo Casais, em Braga, onde a robotização tem aberto portas a novos perfis e aumentado a presença de mulheres na construção.