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DS cresce 27% e chega aos 120 milhões de faturação

Fundada em 2003 por Paulo Abrantes, a empresa iniciou atividade na intermediação de crédito e evoluiu para um grupo com 12 marcas, mais de 600 lojas e cerca de 6 mil colaboradores. Faturou 120 milhões de euros em 2025, mantendo posições de liderança na intermediação de crédito, na consultoria imobiliária e na mediação de seguros.

Paulo Abrantes.

A Decisões e Soluções nasceu num momento de rutura e de reflexão profunda na vida de Paulo Abrantes. Corria o ano de 2003 e o gestor fazia 35 anos no dia seguinte. Após duas décadas de experiência em gestão de equipas, o fundador e atual diretor-geral atravessou uma fase difícil, marcada pela perda do pai, um divórcio, e um grave acidente de viação que o obrigou a parar e a repensar as suas prioridades. Foi nesse contexto que surgiu a vontade de criar algo que tivesse um impacto real na vida das pessoas. A iniciativa não nasceu de um plano estratégico, mas da necessidade concreta de redefinir o seu caminho  e transformar um momento difícil numa oportunidade de criar valor.

“Foi um período muito marcante, que me levou a questionar o que queria fazer com a minha experiência e com o meu futuro”, recorda Paulo Abrantes. A resposta traduziu-se num projeto empresarial assente em dois propósitos principais: por um lado, prestar um serviço de aconselhamento financeiro que ajudasse famílias e particulares a tomar decisões mais informadas e a pagar menos pelos seus empréstimos bancários; por outro, criar um grupo onde fosse possível gerar emprego, dar oportunidades e fazer com que cada pessoa pudesse crescer de acordo com a sua ambição e os seus sonhos. “Hoje, passados 22 anos verifico que esses dois grandes objetivos se transformaram nos dois grandes pilares do Grupo Decisões e Soluções (DS) e que a sua missão continua a ser exatamente a mesma.”

A intermediação de crédito foi o ponto de partida, numa altura em que o acesso a informação clara e a capacidade de negociação junto da banca estavam longe de ser uma realidade acessível à maioria dos consumidores. Desde cedo, o Grupo DS posicionou-se como um intermediário independente, focado em encontrar as melhores soluções para cada cliente. Essa lógica de proximidade e aconselhamento tornou-se a base de toda a sua futura expansão.

À medida que o grupo crescia, tornou-se evidente que as necessidades dos clientes iam muito além do crédito. “O foco sempre foram as pessoas”, sublinha Paulo Abrantes. “As suas necessidades, os seus objetivos e os momentos decisivos da vida, aqueles em que se tomam decisões com impacto durante muitos anos.” Foi esta leitura que levou à diversificação progressiva da atividade, sempre em áreas onde as famílias gastam uma parte significativa do rendimento e onde a falta de tempo, de conhecimentos ou de capacidade de negociação pode resultar em más decisões.

Desta forma, surgiram naturalmente as áreas da mediação de seguros e da consultoria imobiliária, às quais se seguiram a compra e venda de automóveis, o aluguer de viaturas, as viagens e o turismo, o investimento imobiliário e a construção. Cada nova área foi integrada numa estrutura comum, beneficiando da experiência acumulada do grupo e de uma visão transversal do cliente. Hoje, todas as marcas operam de forma articulada, complementando-se e reforçando o posicionamento do grupo como parceiro global de decisão.

Balanço de 22 anos

O Grupo DS conta atualmente com 12 marcas, mais de 600 lojas, 6 mil colaboradores e 700 mil clientes a nível nacional. “Atuamos em áreas de grande importância para a população, nomeadamente a compra e venda de casas e carros, a intermediação de crédito, a mediação de seguros, o aluguer de viaturas, as viagens e o turismo, o investimento imobiliário e a construção de imóveis”. No entanto, a área que tem melhores resultados é a de intermediação de crédito, setor onde são líderes de mercado há vários anos. Seguem-se as áreas da consultoria imobiliária e da mediação de seguros “onde também temos tido excelentes resultados e onde também somos líderes de marcado”.

Quanto a números... Em 2024 a faturação geral do Grupo DS  foi de 94 milhões de euros, abrangendo todas as suas marcas e as respetivas redes de lojas a nível nacional. Em 2025 deverá ter atingido os 120 milhões de euros. “Na área da intermediação de crédito ainda antes do ano terminar ultrapassámos os 2.600 milhões de euros de crédito escriturado, o que corresponde a uma quota superior a 13% de todo o mercado nacional e uma quota superior a 25% no que se refere à intermediação de crédito em Portugal”, afirma. O responsável acrescenta ainda que na área da mediação de seguros estão a crescer na faturação acima dos 25% face a 2025, na área da consultoria imobiliária, o crescimento é de 16%, na da venda de automóveis, de 25%. No setor das viagens e turismo os valores deverão atingir os 70%.

O crescimento do Grupo DS traduziu-se numa presença nacional alargada, com uma vasta rede de lojas, milhares de colaboradores e centenas de milhares de clientes. Ainda assim, Paulo Abrantes rejeita a ideia de que o tamanho seja um fim em si mesmo. “O mais importante é continuarmos a crescer de forma sustentada, mantendo a qualidade do serviço, a proximidade e a confiança.”

Os planos para o futuro passam por reforçar todas as marcas em Portugal, aumentar a rede, criar mais oportunidades profissionais e consolidar a relação com os clientes. Está também nos horizontes do grupo iniciar um processo de internacionalização, levando o modelo de aconselhamento desenvolvido em Portugal a outros mercados.

Em paralelo com a atividade empresarial, a responsabilidade social assume um papel central na identidade do grupo. Desde cedo que integraram o apoio a causas sociais como parte da sua missão, colaborando com várias associações ligadas à saúde, à inclusão e ao apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade. “A responsabilidade social não é um complemento, é uma prioridade”, afirma Paulo Abrantes.

Mais recentemente, o grupo lançou uma campanha nacional de apoio ao Banco Alimentar Contra a Fome, envolvendo colaboradores, parceiros e clientes numa iniciativa que procurou proporcionar um Natal mais digno a muitas famílias. Para o fundador, este tipo de ações é essencial para humanizar a atividade empresarial e reforçar o espírito de solidariedade dentro das organizações.

“Crescer é importante, mas crescer com valores é fundamental”, conclui Paulo Abrantes. “Se conseguirmos ajudar as pessoas a tomar melhores decisões, a viver um pouco melhor e, ao mesmo tempo, criar oportunidades e contribuir para uma sociedade mais justa, então estamos no caminho certo.”