Os esforços para colocar um fim ao conflito com o Irão voltaram a um impasse esta terça-feira, depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se ter declarado insatisfeito com o plano mais recente de Teerão, que propõe um escalonamento dos temas a discutir entre as duas partes, começando pelo fim dos ataques e pelo Estreito de Ormuz e deixando para mais tarde a questão nuclear. Como era de esperar – e uma vez que Trump disse sempre que essa era a questão central – Washington não gostou do que ouviu e impasse mantém-se, sem que haja no horizonte qualquer evidência de que um encontro entre os Estados Unidos e o Irão esteja para breve. Trump quer que as questões nucleares sejam tratadas desde o início, disse uma fonte da administração citada pela imprensa norte-americana.
Numa publicação nas redes sociais, Trump disse ainda que “o Irão acaba de informar-nos que está em 'Estado de Colapso'. Eles querem que 'Abramos o Estreito de Ormuz' o mais rapidamente possível, enquanto tentam resolver a sua situação de liderança (o que acredito que conseguirão fazer!). Obrigado pela atenção a este assunto!". Os analistas tendem a não acreditar na narrativa de Trump, dado que, em princípio, um qualquer ‘estado de colapso’, a existir, seria no mínimo escondido por todas as formas ao principal oponente numa guerra em andamento.
A possibilidade de existirem negociações por etapas já era conhecida desde segunda-feira, com a questão nuclear a ser deixada inicialmente de lado. Desde então, os analistas consideraram de forma unânime que não havia condições para os Estados Unidos aceitarem semelhante calendarização. Um primeiro passo exigiria, segundo a proposta iraniana, o fim da guerra e a garantia de que os Estados Unidos não poderiam reiniciá-la. Em seguida, os negociadores resolveriam o bloqueio naval dos Estados Unidos ao comércio marítimo iraniano e o destino do Estreito de Ormuz, que o Irão pretende reabrir sob seu controlo. Só um iraniano muito distraído colocaria a hipótese de esta agenda ser aceite pelos Estados Unidos, o que pode querer dizer que Teerão está a tentar ganhar tempo.
Merz farto disto tudo
Inesperadamente, o chanceler alemão, Friedrich Merz, decidiu ‘intrometer-se’ no assunto, para dizer que os Estados Unidos estão a ser "humilhados" pela liderança do Irão”. A avaliação de Merz sugere que era a equipa de Trump está a ser superada: "Os iranianos são obviamente muito habilidosos em negociar, ou melhor, muito habilidosos em não negociar, permitindo que os norte-americanos viajem para Islamabad e depois partam sem nenhum resultado", disse.
“Uma nação inteira está a ser humilhada pela liderança iraniana, especialmente por esses supostos Guardas Revolucionários. E, portanto, espero que isso termine o mais rapidamente possível”.
E os Emirados Árabes Unidos também
Tão inesperadamente quanto eram as palavras de Merz, foi a decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixarem o perímetro da OPEP já esta sexta-feira. O reino anunciou esta terça-feira que vai deixar a organização regulatória, o que representa um duro golpe para o grupo de produtores de petróleo, desferido em plena crise energética sem precedentes.
A saída dos Emirados Árabes Unidos – um dos maiores produtores do grupo – enfraquece o controlo da OPEP sobre o fornecimento global de setor do petróleo e amplia a divisão entre os Emirados Árabes Unidos e o seu vizinho, a Arábia Saudita, que é, na prática, o líder da organização.
Este controlo não é do agrado de todos. Vale a pena recordar que Angola decidiu sair do grupo no final do ano de 2023, depois de concluir que a política de quotas imposta pelos sauditas não servia os seus interesses.
Trump tem um histórico antigo de desentendimentos com a OPEP e acusou várias vezes a Arábia Saudita de ser demasiado conservadora.
Isso também poderia permitir que os Emirados Árabes Unidos aumentassem a produção em relação à política de quotas, impedindo que o preço do petróleo desça para níveis aceitáveis. Mas a saída de países do perímetro da OPEP não é necessariamente uma boa notícia para os Estados Unidos. Voltando ao exemplo de Angola, o país africano deu há dias a saber que fechou um acordo de alto nível com a China para a gestão do setor do petróleo – o que com toda a certeza não são boas notícias para Washington.
Seja como for, a saída dos Emirados deixa mais sozinhos os sauditas, que são os maiores inimigos do Irão no Médio Oriente islamita. Se isso é bom para o regime de Teerão, adiante se saberá. Para já, a expectativa global é que um produtor tão importante como os Emirados finalmente livre do espartilho da OPEP possa aumentar a produção e aliviar o pico de preços atual.
Num primeiro comentário público sobre o assunto, o ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Mohamed al-Mazrouei, disse à Reuters que a decisão foi tomada após uma análise das estratégias energéticas do país, sem discutir o assunto com nenhum outro país. "Esta é uma decisão política, tomada após uma análise cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas com o nível de produção", disse Mazrouei.
E esclareceu que o mundo está ávido de energia, dando a entender que os Emirados estariam em posição de atender a essas necessidades. Para todos os efeitos, o anúncio saudita aliviou o preço do petróleo nos mercados.
Segundo um comentador citado pela Reuters, a saída dos Emirados Árabes Unidos representa uma vitória para Donald Trump, que, num discurso em 2018 na Assembleia Geral da ONU, acusou a organização de "explorar o resto do mundo" ao inflacionar os preços do petróleo artificialmente, por via das quotas.
Entretanto, no Líbano
Entretanto, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, levantou a possibilidade de uma nova ação militar israelita no Líbano, afirmando que mísseis e drones em posse do Hezbollah, continuam a representar uma ameaça para o Estado hebraico.
“Ainda existem duas ameaças principais do Hezbollah: os mísseis de 122 mm e os drones”, disse o primeiro-ministro em comunicado divulgado pelo seu gabinete. “Isso exige uma combinação de atividades operacionais e tecnológicas”. Ou seja, e como os analistas anteciparam, o cessar-fogo pode ser quebrado por Israel a qualquer momento.