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Donald Trump encurta laços militares com a Coreia do Sul

Exercícios conjuntos marcados para esta semana foram reduzidos e Donald Trump disse que tem um bom relacionamento com o líder da Coreia do Norte. Decisão pode afetar os movimentos de contenção da China na região.

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, aumentou a pressão para recuperar o controlo independente das forças armadas dos Estados Unidos em caso de guerra e pediu avanços mais rápidos na aquisição de submarinos nucleares, na sequência da ordem de Donald Trump de suspender os exercícios militares conjuntos.

O presidente dos Estados Unidos instruiu o Pentágono a "reduzir substancialmente" os exercícios militares conjuntos desta semana com a Coreia do Sul, afirmando que o Norte, que possui armas nucleares, "tem-se comportado de forma não ameaçadora e respeitosa". Lee Jae Myung afirmou que Seul deve prosseguir sem interrupções com a transferência planeada para o seu mandato do controlo operacional em tempo de guerra (OPCOM) das forças sul-coreanas – um objetivo que a Coreia do Sul pretende alcançar há muito tempo.

A decisão de Trump de enfraquecer a aliança com a Coreia do Sul é uma "decisão insensata e precipitada", dizem vários analistas. “Uma aliança forte fortalece a base da segurança, e o fortalecimento das nossas próprias capacidades aumenta o nosso valor e a nossa necessidade como aliados”, disse Lee numa reunião d seu gabinete, descrevendo a aliança EUA-Coreia do Sul e a defesa independente como mutuamente eficazes.

O aspeto mais saliente da decisão tem a ver com a contenção que os Estados Unidos querem manter em relação às pretensões da China na região. Até agora, Washington tem mantido um envolvimento estreito tanto com a Coreia do Sul como com o Japão, exatamente para servir de persuasão à China.

Os exercícios militares desta semana, agora encurtados, tinham como objetivo ajudar a certificar a prontidão da Coreia do Sul para finalmente assumir o controlo do território, um processo que Lee tem pressionado para acelerar desde que assumiu o cargo. Lee também pediu progressos mais rápidos no programa de submarinos nucleares da Coreia do Sul e no desenvolvimento de oficiais capazes de operações integradas para futuros conflitos.

Trump apelou para que os 10 dias de exercícios (que começaram na passada segunda-feira) fossem encurtados. A expectativa era que envolvessem cerca de 18 mil soldados sul-coreanos, juntamente com forças norte-americanas e pessoal de 11 dos 18 estados-membros do Comando das Nações Unidas (UNC), o órgão multinacional que supervisiona o armistício de 1953.

Trump afirmou entretanto que o líder norte-coreano, Kim Jong-un, respondeu à sua ordem ao Pentágono, mas não forneceu detalhes. Mesmo assim, foi dizendo que conversas mantidas com o líder do Norte foram " muito positivas". Kim Jong-un sempre me tratou com muito respeito", disse. "Eu entendo-o e ele entende-me."

Trump já antes tinha suspendido importantes exercícios militares conjuntos entre os EUA e a Coreia do Sul na tentativa de encontrar uma base de diálogo diplomático com a Coreia do Norte. A Coreia do Norte estreitou os laços militares com a Rússia desde que assinaram um pacto de parceria estratégica abrangente em junho de 2024. Pyongyang está a fornecer tropas, munição de artilharia e mísseis balísticos para apoiar a guerra contra a Ucrânia. Ora é este aspeto que os analistas evidenciam – sendo difícil perceber quais são as intenções de Donald Trump.