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Distribuição diz que existe risco da guerra no Médio Oriente aumentar os preços para o consumidor

"As cadeias de valor serão pressionadas e muito dificilmente, dada a sua interdependência, não veremos subidas dos bens energéticos e de outras matérias-primas, que impactam, naturalmente, outros itens da cadeia de valor. E isto é válido para todo o tipo de bens: alimentares e não alimentares”, diz .Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da APED.

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) está a olhar para a guerra no Médio Oriente com apreensão.

Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da associação que reúne 232 empresas de retalho e supermercados, diz ao Jornal Económico ser difícil antecipar os efeitos de um eventual agravamento da guerra, em particular da disrupção do Estreito de Ormuz.

O responsável diz que existe a possibilidade dos preços dos produtos aumentarem para o consumidor, “o risco existe, como é por demais evidente. As disrupções ou flutuações no mercado global da energia comprometem sempre os custos transversais da economia. Mesmo sabendo que, tal como referido ontem [segunda-feira, 2 de março],  pela Comissão Europeia, não é esperado um impacto imediato no fornecimento de energia, em particular do petróleo, à Europa, coisa diferente, por exemplo do gás natural, pela menor exposição do mercado europeu a esta região.  A verdade é que as cadeias de valor serão pressionadas e muito dificilmente, dada a sua interdependência, não veremos subidas dos bens energéticos e de outras matérias-primas, que impactam, naturalmente, outros itens da cadeia de valor. E isto é válido para todo o tipo de bens: alimentares e não alimentares”.

O responsável indica que os associados da APED conhecem o efeito dominó que as disrupções de certas cadeias de valor têm na economia, “daí esta nossa preocupação”.

Diz que os associados “tentam resistir sempre - até onde podem - em fazer repercutir impactos pontuais decorrentes de situações atípicas, como aquela que atravessamos, no preço de venda dos seus produtos ao consumidor”. Contudo, sublinha que esmagar as margens “nem sempre é suficiente para acomodar subidas repentinas dos preços de energia e de algumas matérias-primas, sobretudo se considerarmos as margens curtas, como as do retalho alimentar, por exemplo, que se situam-se, em média, nos 2-3%”.

Apesar de não querer contribuir para a discussão das eventuais consequências de uma guerra que se prolongue no tempo - o presidente norte-americano já disse que a guerra irá durar quatro a cinco semanas -, Lobo Xavier acredita que o retalho e a distribuição estão preparados: “tal como na situação de conflito na Ucrânia, o sector irá procurar estar à altura para garantir alternativas viáveis para os consumidores”.