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Dinamarca denuncia novas tentativas de interferência dos EUA na Gronelândia

Parecia que a atitude de Donald Trump para com a Gronelândia tinha acalmado depois da viagem do seu vice-presidente às terras da Dinamarca. Mas o país escandinavo diz que a pressão continua.

A Dinamarca convocou o encarregado de negócios dos Estados Unidos após uma reportagem da emissora pública de televisão DR ter denunciado "tentativas de interferência" na Gronelândia, um território autónomo do reino escandinavo cobiçado pelo governo Trump. Fontes diplomáticas dinamarquesas afirmam que pelo menos três norte-americanos ligados a Donald Trump estão a realizar operações de influência na Gronelândia, "com o objetivo de minar as relações com a Dinamarca".

"Qualquer tentativa de interferir nos assuntos internos do Reino será, obviamente, inaceitável", disse o ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, em comunicado enviado à Agência France-Presse. "Solicitei ao Ministério das Relações Exteriores que convoque o encarregado de negócios americano para uma reunião no ministério", acrescentou.

Após a sua eleição, o presidente Trump explicou, para espanto do mundo inteiro, que "precisava" da Gronelândia, especialmente por questões de segurança dos Estados Unidos, repetindo esse desejo diversas vezes — ao mesmo tempo que afirmava a sua convicção de que o Canadá seria o 51º Estado dos EUA. Depois de o mundo se ter convencido de que eventualmente não era uma piada com pouca graça, a Gronelândia respondeu que não estava à venda e que decidiria o seu próprio futuro.

No final de março, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, causou alvoroço ao planejar uma visita não solicitada à vasta ilha ártica. Diante da revolta gerada na Gronelândia, na Dinamarca e em toda a Europa, Vance limitou a viagem à base aérea norte-americana de Pituffik, tentando assim não ‘perder a face’.

"Estamos cientes de que agentes estrangeiros continuam a demonstrar interesse na Gronelândia e na sua posição dentro do Reino da Dinamarca", disse o ministro das Relações Exteriores. "Portanto, não é surpreendente ver tentativas externas de influenciar o futuro do reino nos próximos tempos."

Recorde-se que, na primavera, os serviços de inteligência dinamarqueses expressaram preocupação com "possível influência" do exterior, particularmente da Rússia, principalmente durante as eleições parlamentares na Gronelândia. No final, nenhuma interferência foi encontrada — e ficou claro que qualquer ‘ousadia’ viria mais depressa dos Estados Unidos do que da Rússia.

Em abril, Lars Lokke Rasmussen reuniu-se com o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, que não terá corrido pelo melhor. Depois disso, o ministro acabou convocando o embaixador norte-americano em exercício em Copenhaga, após a publicação de um artigo no ‘Wall Street Journal’ revelando que os Estados Unidos preparavam a intensificação das suas atividades de espionagem na Gronelândia. "Isso preocupa-me muito porque não espiam os amigos", disse Lokke Rasmussen na altura.

De acordo com o ‘Wall Street Journal’, foram enviadas instruções no final de abril por "altos funcionários sob o comando do diretor de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard", aos chefes das agências de inteligência do país, pedindo-lhes que "aprendessem mais sobre o movimento de independência na Gronelândia e as atitudes em relação à extração de recursos norte-americanos na ilha".