Está concluída a parceria de joint venture anunciada em dezembro de 2024 entre os CTT e a DHL Ecommerce, uma transação que vai permitir um encaixe de 64 milhões para os CTT e a constituição do líder ibérico das entregas e-commerce.
"Os operadores acreditam que esta transação possa gerar sinergias operacionais e comerciais significativas em Portugal e Espanha, bem como sinergias ao nível da estrutura empresarial", referiu a empresa postal portuguesa na comunicação efetuada à CMVM esta terça-feira.
A empresa portuguesa esclareceu que a conclusão da transação segue-se à "aprovação incondicional" da parceria de joint venture pela Comissão Europeia, nos "processos de controlo de concentrações e subvenções estrangeiras (FSR)".
Esta transação consiste em participações cruzadas. Isto é, na aquisição da DHL Parcel Portugal por parte da CTT Expresso – Serviços Postais e Logística e na aquisição de 25% da CTT Expresso por parte da DHL, bem como na aquisição de 25% da Danzas pelos CTT.
A Danzas é a acionista única da DHL Parcel Iberia e a DHL Parcel Iberia é a acionista única da DHL Parcel Portugal. O encaixe líquido para os CTT será de 64 milhões de euros.
Estrutura da transação
- A CTT Expresso (subsidiária dos CTT) adquire a totalidade da DHL Parcel Portugal.
- A DHL entra no capital da CTT Expresso, ficando com 25% da empresa.
- Os CTT adquirem 25% da Danzas S.L.U., empresa espanhola que detém a DHL Parcel Iberia (e, por sua vez, a DHL Parcel Portugal).
"O valor dos ativos (enterprise value) da transação à data da assinatura manteve-se inalterado. A variação do encaixe líquido reflete os ajustamentos habituais relativos à dívida líquida e ao fundo de maneio líquido", salienta a instituição postal.
A parceria prevê ainda uma segunda fase com uma estrutura de opções de compra, a exercer após o fecho das contas de 2027 e 2028.
Inicialmente, os CTT terão direito a comprar mais 10% da Danzas e a DHL 10% da CTT Expresso, com base nas contas de 2027.
Depois, e "sujeito ao cumprimento de um trigger de desempenho (EBIT consolidado da joint venture superior a 96 milhões de euros em 2028), cada parte poderá adquirir até 49% da empresa da outra (mais 14 pontos percentuais). "Sujeito ao cumprimento de certas condições relativas ao desempenho operacional (Mecanismo de cumprimento (trigger): EBIT de 2028 consolidado da JV (soma do EBIT verificado em 2028 da Danzas e da CTT Expresso) estar acima de 96 milhões de euros) e assumindo que a opção acima é exercida, aos CTT será concedida uma opção de adquirir até 49% da Danzas (posição adicional de 14%) e à DHL de adquirir até 49% da CTT Expresso (posição adicional de 14%)", dizem os CTT.
Portanto as participações cruzadas que começam em 25% acabam em 49% (mais 24 pontos percentuais).
Segundo o comunicado dos CTT, a Danzas será avaliada a 11,5x do ano fiscal de 2028/EBIT (ganhos antes de juros e impostos) referente ao ano fiscal de 2028 (dependendo do período de exercício) enquanto que os CTT Expresso serão avaliados a 12,5x do ano fiscal de 2027/EBIT do ano fiscal de 2028 (dependendo do período de exercício).
Caso o resultado operacional ultrapasse o plano de negócios atual, apenas 50% do excesso será considerado para efeitos de preço.
"Prevê-se que a transação gere sinergias operacionais e comerciais significativas em Portugal e Espanha, bem como sinergias ao nível da estrutura empresarial. As sinergias operacionais incluem as áreas de instalações e tratamento; rede de transporte; e última milha. Em ritmo normalizado, o impacto das sinergias ao nível do EBIT atingirá um montante anual de >35 milhões de euros, para as operações combinadas das duas empresas que constituem a Joint Venture. Estima-se que o ritmo normalizado das sinergias possa ser alcançado ao longo dos próximos 2-3 anos", perspetivam os CTT.
Em comunicado a empresa agora liderada por Guy Pacheco, diz que "a combinação das redes permitirá criar empresas de distribuição de encomendas de elevado desempenho para e‑commerce, B2B e serviços out‑of‑home, com uma capacidade diária superior a um milhão de envios e receitas conjuntas de cerca de mil milhões de euros".
"Está igualmente prevista a expansão da rede conjunta de out‑of‑home, com a instalação de mais 10.000 novos cacifos de encomendas nos próximos anos", acrescenta.
Esta joint venture permite aos CTT reforçarem a sua posição no segmento de encomendas e logística, enquanto a DHL ganha maior escala no mercado ibérico através de uma das redes postais mais antigas e capilares de Portugal.
Atualizado às 09h18