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Crise energética aproxima-se a cada bomba largada no Médio Oriente

O FMI foi a mais recente instituição a antecipar uma grave crise global se o Estreito de Ormuz for fechado e a guerra se estender no tempo. Teerão e o sul do Líbano são as frentes de guerra mais ativas.

O FMI foi a mais recente instituição a chamar a atenção para o assunto: o impacto da guerra na economia global dependerá da sua duração e da extensão dos danos às infraestruturas e às indústrias da região. Uma preocupação específica é se o aumento repentino do preço da energia será de curta duração ou mais persistente, afirmou o Fundo Monetário Internacional. O primeiro vice-diretor do FMI, Dan Katz, disse na conferência Future of Finance do Milken Institute, em Washington, que o conflito "certamente tem o potencial de ter um grande impacto na economia global ao nível de uma série de indicadores, seja a inflação, o crescimento e assim por diante".

Donald Trump disse recentemente que a guerra pode durar mais de quatro ou cinco semanas – mas, se se verificar a necessidade de a coligação enviar tropas para o solo iraniano, esse horizonte temporal será pulverizado. Mesmo assim, o presidente dos Estados Unidos disse estar convencido que, mal a operação militar acabe, o preço do petróleo nos mercados mundiais irá descer rapidamente.

Teerão e o Líbano foram, nas últimas 24 horas, as duas frentes de batalha mais atingidas pela coligação militar EUA-Israel – num contexto em que os apelos à brevidade da guerra surgem de todos os lados, no temor de que o encerramento do Estreito de Ormuz induza uma crise petrolífera, o aumento do preço dos fretes internacionais e a consequente desarticulação do comércio global, que já não passava pelos melhores dias. O problema é de tal alcance, que os Estados Unidos levantaram esta terça-feira a hipótese de escoltar os navios-tanque que tentam atravessar o Estreito – e que o Irão prometeu atacar.

Israel tomou conta dos ataques a Teerão ao longo da noite, para, na manhã desta terça-feira, ter derivado a sua atenção para o Líbano – onde pretende acabar de vez com o Hezbollah, milícia que é mantida pelo Irão e tem de algum modo mantido o devastado país sob coação que dura há décadas. A onda de ataques parece ter ‘libertado’ o governo, que numa ação rara mandou o exército libanês deter 12 combatentes do Hezbollah, enquanto as autoridades judiciais ordenaram a perseguição dos responsáveis ​​pelo lançamento de rockets e drones do Líbano em direção a Israel.

Do lado dos Estados Unidos, os ataques, disse Trump, têm visado os novos ‘senhores do poder’ – numa ótica em que a decapitação do poder do regime teocrata deu mostras de não funcionar. A intenção é que os ‘herdeiros’ também desapareçam. “Tudo foi destruído”, disse Trump – referindo-se apenas à marinha do Irão – mas o certo é que o regime continua a conseguir atacar as bases norte-americanas na região, Esta terça-feira, o Irão conseguiu mesmo atingir a embaixada norte-americana em Riad, capital da Arábia Saudita, com dois drones que causaram apenas pequenos danos e um incêndio limitado, sem feridos ou vítimas, mas que pode ser considerada uma derrota simbólica para os EUA.

A Espanha sem os EUA

Entretanto, depois de a Espanha ter impedido que as bases no seu território fossem usadas para atacar o Irão, Donald Trump decidiu mandatar a sua administração para que acabe com todo o comércio com o país da Península Ibérica. Madrid já respondeu, afirmando que os Estados Unidos devem cumprir o direito internacional e os acordos comerciais bilaterais entre ambos. Seja como for, diz o governo de Pedro Sánchez em comunicado, “Espanha possui os recursos necessários para conter o possível impacto de um embargo comercial imposto pelos Estados Unidos”.

Do seu lado, a ONU começa a ficar preocupada com a contínua contagem de mortos. Em Nova Iorque, o porta-voz das Nações Unidas, Stephane Dujarric, afirmou que o secretário-geral António Guterres está preocupado com a "multiplicação de novas frentes" no Médio Oriente. "Estamos a testemunhar um número crescente de vítimas civis e um grave impacto humanitário em toda a região", disse. E afirmou que a situação é motivo de particular preocupação para aqueles que vivem ao longo da Linha Azul, uma linha demarcada pela ONU que separa o Líbano de Israel e das Colinas Golã, território ocupado por Israel. "Nos últimos dois dias, a nossas forças de paz da UNIFIL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano) registaram dezenas de foguetes e mísseis disparados contra Israel, reivindicados pelo Hezbollah, além de vários ataques aéreos e incidentes de disparos vindos do sul da Linha Azul, de Israel para o Líbano." Para além dos ataques aéreos, Israel tem realizado incursões terrestres no sul do país.

Segundo os números mais recentes, já terão morridos pelos menos 800 iranianos.