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Compra da REN foi abordada durante visita do Governo à China em 2025

Governo garante que já estava a tratar da compra de uma participação na REN desde 2024. Decisão foi "bem compreendida" pela Comissão Europeia.

A compra de uma participação na REN - Redes Energéticas Nacionais pelo Estado foi abordada durante uma visita do Governo português em setembro de 2025.

A revelação foi feita esta terça-feira, 1 de setembro, pela ministra do Ambiente e da Energia.

A empresa estatal chinesa China State Grid é a maior acionista da REN com 25% do capital, comprado durante as privatizações da troika em 2012.

Em agosto, o Estado comprou 14% da companhia, por 380 milhões de euros, incluindo um prémio de 55 milhões, a uma sociedade de investimento detida pelo dono da Zara, o galego Amancio Ortega, a Pontegadea Inversiones. A compra aguarda ainda pela aprovação do Tribunal de Contas.

"Foi algo que tem estado a ser estudado e planeado desde que estamos no Governo, desde 2024, coordenado pelo primeiro-ministro, que sempre foi a sua intenção", começou por dizer hoje Maria da Graça Carvalho em Bruxelas.

"Aliás, fez parte da agenda do senhor primeiro-ministro na sua ida à China, que eu acompanhei, e fiquei mais algum tempo exatamente a tratar deste assunto", acrescentou.

A ministra defendeu a compra da participação pelo Estado português. "A participação do Estado é de crucial importância para a soberania e para a segurança e essa é uma das principais razões desta decisão do Estado entrar no capital da REN".

Das 40 empresas europeias de transporte de eletricidade e gás, com origem em 34 países da União Europeia e do resto da Europa, "só Portugal é que tinha uma empresa completamente privada", com 18 destas a serem "100% públicas" em "países com os quais nós gostamos de nos comparar como a Dinamarca, Suécia ou Noruega.

Sobre a nomeação de administradores para a REN, a ministra considera que será discutido "numa segunda fase", com o envolvimento da REN e do Governo.

Sobre o valor a pagar, a ministra remeteu para o ministro das Finanças Joaquim Miranda Sarmento.

Em relação à validação do negócio pelo Tribunal de Contas, a ministra afirmou que é preciso "aguardar".

Maria da Graça Carvalho esteve reunida com Celine Gauer diretora-geral da Direção-Geral da Energia (DG ENER).

Questionada sobre a sua reação à compra da REN, a ministra disse que "foi muito bem compreendida" pela diretora-geral europeia de energia.