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CNP Assurances apostada em crescer em Portugal avança na pole position para comprar Lusitânia e analisa Caravela

A CNP Assurances está a negociar com a Associação Mutualista Montepio a compra das seguradoras Lusitania Vida e a Lusitania Seguros. Fontes conhecedoras do processo revelam que a negociação está em fase avançada. A Mutualista não comenta. Paralelamente, a CNP está também a negociar a compra da seguradora Caravela ao Toscafund.

O setor financeiro francês está interessado em investir em Portugal. Depois de o banco BPCE estar prestes a concretizar a compra do Novobanco, surge agora o grupo segurador CNP Assurances a avançar com aquisições no país.

Segundo apurou o Jornal Económico, a CNP Assurances está em negociações avançadas para comprar as duas seguradoras Lusitânia à Associação Mutualista Montepio Geral e está também a estudar a compra da seguradora Caravela, liderada por Luís Cervantes, cujo maior acionista é o fundo ToscaFund.

A notícia do interesse da CNP nas seguradoras Lusitânia foi avançada pelo Mergermarket, informação igualmente obtida pelo Jornal Económico. Contactada, fonte oficial afirmou que “o Montepio Associação Mutualista não tem comentários a prestar”.

A Bloomberg avançou este ano que a Associação Mutualista Montepio contratou o banco francês Société Générale para prestar assessoria financeira na alienação parcial ou total da companhia.

Em janeiro, durante a tomada de posse dos órgãos associativos para o período de 2026 a 2029 da Associação Mutualista Montepio Geral, o presidente Virgílio Lima admitiu a possibilidade de “parcerias de desenvolvimento” envolvendo as seguradoras. “Sempre o dissemos: temos um conjunto de prioridades que vêm do período da crise anterior, que afetou todas as entidades e que estão em recuperação. Uma vez recuperadas, poderemos fazer parcerias de desenvolvimento, mantendo naturalmente uma posição relevante e importante nas companhias”, afirmou.

Virgílio Lima admitiu mesmo vender a maioria do capital da Lusitânia: “esse é um quadro de evolução provável”, pois “não precisamos de ter 100% para manter a atividade seguradora e, portanto, é natural que possamos fazer alguma parceria de desenvolvimento no momento adequado”.

Em causa estão as seguradoras Lusitânia Vida e Lusitânia Seguros, que, em 2025, registaram conjuntamente uma quebra de 2,8% nos prémios, para 412 milhões de euros, descendo para o 11.º lugar no ranking dos grupos seguradores em Portugal.

Para além de estar em fase avançada para comprar as duas companhias do grupo Montepio, a CNP também está a negociar a aquisição da seguradora Caravela.

Recorde-se que, em janeiro, a Bloomberg noticiou que a Toscafund Asset Management e outros acionistas minoritários da Caravela Seguros estão a explorar a possibilidade de vender a seguradora portuguesa. O Toscafund, com sede em Londres e detentor de 48% das ações da Caravela, contratou o Mediobanca para o assessorar numa eventual venda da sua participação. Os restantes acionistas — um grupo de mais de 20 investidores — estarão também a avaliar a possibilidade de venda conjunta com o fundo.

O Toscafund adquiriu a sua participação no final de 2019, investindo 30 milhões de euros através de um aumento de capital. Outros acionistas da Caravela incluem Mário Ferreira, presidente e maior acionista do grupo de media português Media Capital e proprietário de uma empresa de cruzeiros.

Contactada, a CNP não respondeu.

Desde 2022, a CNP Assurances é integralmente detida pelo grupo La Banque Postale, o banco postal francês. O Grupo La Poste, por sua vez, é controlado pela Caisse des Dépôts et Consignations (CDC) — uma instituição financeira pública francesa — e pelo Estado francês.

A seguradora francesa é também a terceira maior seguradora do Brasil, através da CNP Brasil.