A vice-governadora do Banco de Portugal, Clara Raposo, destacou a urgência de a Europa mobilizar investimento estratégico, alertando que a hesitação e o adiamento de decisões económicas comportam custos elevados para a competitividade da região. As declarações foram proferidas no discurso de encerramento da 8.ª edição do Capital Markets Seminar: Financing Europe, evento organizado conjuntamente pela Comissão Europeia, pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) e pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE).
Clara Raposo defendeu a urgência de acelerar o investimento estratégico na Europa para reforçar a competitividade do continente e sustentou que, num contexto de forte incerteza geopolítica e tecnológica, o adiamento de decisões acarreta custos graves para a produtividade e para o crescimento de longo prazo.
Cruzando a sua experiência no regulador bancário com a sua trajetória no setor privado — nomeadamente académica, em infraestruturas de mercado e na liderança de uma empresa de energia renovável —, Clara Raposo defendeu que a incerteza geopolítica e tecnológica exige maior rigor na seleção de projetos, mas não pode servir de pretexto para o imobilismo.
A vice-governadora do BdP sublinhou que a volatilidade global deve aumentar a exigência no desenho dos projetos, em vez de servir de pretexto para atrasos. O investimento em áreas prioritárias como a transição energética, as capacidades de defesa e a inovação tecnológica permanece valioso independentemente do cenário futuro, disse.
No domínio da sustentabilidade, salientou que a aposta em renováveis reforça a autonomia e citou dados do Banco de Portugal que associam uma transição ecológica mais rápida a um menor risco de crédito para o setor bancário.
Relativamente à defesa, defendeu que o aumento da despesa deve focar-se no capital e na investigação para gerar inovação com impacto em toda a economia.
Para fazer face a estes desafios, a vice-governadora recordou que as finanças públicas não conseguem responder isoladamente às necessidades da região, tornando imperativo aprofundar a União dos Mercados de Capitais e concluir a União Bancária de forma a mobilizar a poupança privada. Isto é, Clara Raposo sublinhou que os recursos públicos são limitados e que a Europa precisa de alavancar o poupança privada através do aprofundamento da União dos Mercados de Capitais e da conclusão da União Bancária.
Quanto ao papel dos bancos centrais, Clara Raposo destacou a relevância de assegurar a estabilidade de preços, supervisionar o sistema financeiro e fornecer previsibilidade institucional, garantindo as condições de confiança indispensáveis para que empresas e famílias invistam no futuro.