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Cidades interligadas e conectadas, a tudo e a todos

Cidades inteligentes, do futuro pensadas no presente e interligadas em todo o seu conjunto. A opinião das empresas no que serão as ‘smart cities’ e de como estaremos conectados.

  1. Como vislumbra a cidade do futuro?

João Pereira Reis
CEO
da Whoosh Portugal
Se dúvidas houvesse quanto ao atual paradigma, os últimos Censos apontam para a intensificação do automóvel como meio preferido de locomoção, de 61% em 2011 para 66% em 2021. Mais preocupante é o metro, o comboio ou o autocarro, que estagnaram ou sofreram quebras. Mas os paradigmas servem também para ser substituídos por melhores soluções. É por isso que afirmo que a micromobilidade é o futuro.

Não é viável continuarmos com um estilo de vida que coloca em causa aspetos cruciais para a sociedade, como a sustentabilidade económica, social e ambiental. A forma como as malhas urbanas estão construídas não se compadece com mais automóveis a entrar no centro das cidades. A micromobilidade é a resposta a um dilema levantado nas últimas décadas. Desde logo, é mais amiga do ambiente, o ruído é mínimo e o espaço que ocupa é inferior ao dos automóveis, e mais evidente se torna quando alguns estudos pré-pandémicos mencionavam a entrada diária em Lisboa de 400 mil veículos.

A 9 de janeiro, os cinco operadores de trotinetes em Lisboa assinaram um acordo com a edilidade. Três grandes motes em cima da mesa: regular o número de veículos a circular nas ruas, de acordo com a sazonalidade da procura; definir espaços próprios para estacionamento; e a limitação da velocidade para 20 km/h.

O problema está identificado, a solução encontrada. O que falta é passar das palavras aos atos e desenvolver uma estratégia adequada para a cidade, onde a micromobilidade se integra numa perspetiva mais alargada de utilização de transportes públicos.

De uma vez por todas, assumamos a importância das trotinetes. Não como uma opção aos veículos automóveis, mas como real alternativa. O tempo urge, é imperativo criar uma estratégia capaz de criar condições para que uma cidade com o perfil de Lisboa tenha um melhor aproveitamento dos seus incríveis espaços, sem a tirania do automóvel.

Face do dilema que se levanta, estamos perante uma resposta no século XXI, na mesma medida que os automóveis o foram há um século atrás. Cabe-nos, pois, assumi-lo e não ter medo do futuro!

Alexandre Fernandes
Porta-voz
da Sonae Sierra
As cidades do futuro são as cidades do presente, áreas urbanas em contante mutação e cada vez mais inteligentes, sustentáveis e conectadas.

As cidades do futuro são ecossistemas construídos para fomentar o bem-estar das comunidades que as utilizam, de forma duradoura, inclusiva e onde as novas centralidades ganham forma. Os edifícios são parte deste ecossistema e devem ser pensados para dar resposta a este paradigma. O planeamento é fundamental para dar corpo a esta construção. A tecnologia terá, sem dúvida, um papel importante no desenvolvimento das cidades, permitindo que as pessoas comuniquem, trabalhem e vivam de forma mais eficiente e sustentável e sobretudo com maior qualidade de vida.

Na Sierra acreditamos que para conseguirmos responder aos novos desafios impostos por esta evolução torna-se fundamental falarmos do conceito de uso misto no sector imobiliário e do quão importante se tornou projetar edifícios e espaços devidamente integrados capazes de responder a uma ampla variedade de necessidades e usos.

Temos claramente identificada uma tendência à qual estamos a dar resposta e que tem a ver com a reconversão de espaços e edifícios já existentes. O sector tem metas muito ambiciosas no que diz respeito à sustentabilidade e os investidores não estão dispostos a apostar em projetos que não tenham esta componente reconhecida.
A reconversão é particularmente interessante pois além da óbvia componente de sustentabilidade, tira partido do que já existe, somando a cultura à geografia, em vez de as eliminar.

Estes investimentos e oportunidades são o motor capaz de alavancar, e oferecer às diferentes comunidades, as conhecidas como cidades dos 15 minutos, dando resposta às tendências de mudança nos conceitos de utilização mista, que respondam às mais recentes expectativas – viver numa cidade moderna onde a integração de diferentes usos esteja presente.

Sofia Vaz Pires
Diretora Executiva de Marketing
& Operações da Microsoft Portugal
Segundo as últimas previsões da ONU, 68% da população mundial viverá em cidades até 2050, nesse sentido caminhamos para áreas urbanas cada vez mais inteligentes, com a análise de dados no topo das tendências para otimizar a utilização de recursos, reduzir o desperdício, e melhorar a qualidade de vida global dos seus residentes. Através das tecnologias emergentes como a Inteligência Artificial, acreditamos que as cidades do futuro podem ajudar a promover a sustentabilidade ambiental, a equidade social, e o desenvolvimento económico. Por exemplo, as cidades inteligentes podem utilizar dados para otimizar os sistemas de transportes públicos, reduzindo o congestionamento do tráfego, podem também utilizar sensores e redes inteligentes para gerir a utilização de energia de forma mais eficiente, reduzindo as emissões de carbono e promovendo as fontes de energia renováveis.

Para além de promover a sustentabilidade ambiental, as cidades inteligentes devem envolver cada vez mais os seus cidadãos a partir da criação de espaços multidisciplinares com diversas utilizações que facilitem e contribuam para uma equidade social. Ao proporcionar melhor acesso à informação e aos recursos, as cidades vão ser capazes de compreender proactivamente as necessidades e expectativas tanto dos seus cidadãos como de todas as entidades e organizações que fazem parte da área urbana.

João Ricardo Moreira
Administrador
da NOS Comunicações
A cidade do futuro é uma cidade inteligente, uma cidade 5G. Ou seja, uma cidade que recolhe a imensa informação das diferentes fontes ao seu dispor para, de forma estruturada e informada, tomar decisões que melhorem o bem-estar e a qualidade de vida dos seus cidadãos.

Na NOS habituamo-nos a ver as cidades como um conjunto de redes: a rede dos transportes, a rede da energia, da habitação, do acesso a serviços, da saúde... O 5G, ao tornar possível a ligação e interação de milhares de milhões de dispositivos e a recolha de uma quantidade incomensurável de dados, vai permitir que todas estas redes passem a comunicar entre si e se automatizem, para se tornarem muito mais eficientes.

Pensando, por exemplo, na mobilidade, é possível analisarmos todos os movimentos das pessoas e dos vários veículos numa cidade e redesenharmos o sistema de transportes em função disso.

Usando a velocidade e baixa latência do 5G, os veículos autónomos e semiautónomos tornar-se-ão uma realidade. Serão capazes de comunicar entre si, mas também com os peões e com as infraestruturas – semáforos, pontes, autoestradas. Esta capacidade vai otimizar os fluxos dos espaços urbanos, garantir uma melhor distribuição do tráfego, aumentar a segurança e reduzir os acidentes rodoviários.

A cidade do futuro é também mais sustentável e mais eficiente. A tecnologia 5G capacita todas as indústrias e pessoas na otimização de consumos energéticos. Isto aumentará a eficiência da distribuição de eletricidade, gás e água, identificando perdas ao longo das redes terrestres e subterrâneas e antecipando avarias antes do tempo.
Nesta cidade, as distâncias serão mais curtas, de maneira a todos os serviços essenciais serem mais acessíveis. Pensemos, por exemplo, em diagnósticos remotos com o uso de câmaras, dispositivos e sensores capazes de identificar dados vitais e sintomáticos. Ou a monitorização preventiva de pacientes fora de estabelecimentos médicos, para prevenir episódios agudos de doença.

Maria Antónia Saldanha
Country Manager
da Mastercard Portugal
As cidades inteligentes do futuro serão proativas a responder às aspirações dos seus cidadãos, usando big data e as tecnologias da chamada quarta revolução industrial para transformar políticas e processos em benefício dos negócios locais, da inclusão e da diversidade.

A cidade do futuro permitirá tecnologias de pagamento para todos e garantirá transações simples, seguras e sem atrito. No cerne das cidades do futuro estará a mobilidade urbana, porque é essencial ao quotidiano de todos os que dependem da economia da cidade.

Segundo dados das Nações Unidas, as cidades continuarão a crescer e até 2030 o mundo terá 43 megacidades, cada uma com mais de 10 milhões de habitantes. Esse crescimento, combinado com o crescimento da economia mundial, pode fazer com que as cidades vejam sua população aumentar em mais 2,5 mil milhões de pessoas até 2050, fazendo com que a população total a viver em áreas urbanas suba dos atuais 55% para 68%.

Estes números trazem um conjunto crescente de desafios nesta jornada a caminho das cidades do futuro, a tecnologia será fundamental e a digitalização potencializará não apenas cidades inteligentes, mas também cidades sustentáveis, nas quais as infraestruturas inteligentes serão as fundações, a inovação em pagamentos inteligentes será o enabler e as tecnologias centradas no cidadão vão enriquecer a experiência e a qualidade da vida urbana.

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