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Choque em Itália com novo Ferrari 100% elétrico

O design do novo modelo deixou muitos em choque. "Insulto" ou traição à história da Ferrari foram algumas das críticas vindas de antigos responsáveis da marca italiana e de políticos. Houve mesmo comparações com a Honda, Nissan e Tesla.

'Madonna mia!', terão dito muitos tifosi da marca italiana de super-carros desportivos quando viram o novo Ferrari 100% elétrico.

Os Ferraristas ficaram impressionados, pela negativa, e a internet também não perdoou ao comparar o Luce que custa 550 mil euros com um Nissan Leaf, com preços abaixo dos 40 mil euros.

Em Itália, o choque chegou ao mundo político: "O Ferrari Luce é um insulto estético e tecnológico para quem ama a Ferrari ou, como no meu caso, quem trabalhou lá", escreveu o senador Carlo Calenda nas redes sociais.

"Parabéns a John Elkann [da família Agnelli, acionista da Ferrari e Stellantis] que depois de ter semidestruído ou vendido a Marelli, Comau, Iveco, Fiat, Alfa, Maserati, Lancia, Scuderia Ferrari, Juventus e [os jornais] Repubblica e Stampa tenta agora fazê-lo com a Ferrari. E não era fácil", acrescentou.

O criticado design do Luce contou com a ajuda do ex-responsável de design da Apple Jony Ive.

Mais críticas chegaram de Luca Cordero di Montezemolo, que trabalhou diretamente com Enzo Ferrari na escuderia da marca italiana e que liderou a companhia, considerando o novo modelo uma traição à história da Ferrari.

"Espero que tirem o cavalinho rampante [o logo] daquele carro", afirmou na terça-feira.

Os investidores reagiram negativamente, com a cotada a afundar mais de 8% na bolsa de Milão.

"A Ferrari está a ser penalizada por uma desilusão estética, que se junta às preocupações com a expansão da sua gama aos carros elétricos", disse à "Reuters" Fabio Caldato do fundo AcomeA SGR que detém ações da construtora de luxo.

Mas o novo modelo não se destina a agradar aos Ferraristas convictos, com a marca italiana a ter a China debaixo de olho, onde os carros elétricos de luxo ganham cada vez mais espaço.

Por outro lado, também tenta agradar a empresários do setor de Silicon Valley, tentando penetrar nas fortunas tecnológicas.

"Parece uma mistura entre um Honda Accord EV e um Tesla 3. Estamos perdidos com a nova estratégia da Ferrari", disse Pierre-Olivier Essig, analista da AIR Capital, citado pela "Bloomberg".

Olhando para os números, o Luce conta com uma potência equivalente de mil cavalos, indo dos zero aos 100 km/h em 2,5 segundos, com uma velocidade máxima de mais de 310 km/h, mais rápido do que o SUV Purosangue. Conta com quatro motores elétricos e vai construído na cidade-sede da marca em Maranello.

Já os analistas da Bernstein acreditam que existem clientes suficientes da Ferrari, velhos e novos, que vão garantir o sucesso do Luce na gama da Ferrari.

A marca italiana espera que 20% dos seus modelos sejam 100% elétricos até 2030. Outros construtores de super-desportivos como a Lamborghini decidiram adiar o seu primeiro 100% elétrico.

Apesar de querer agradar a novos públicos, o preço elevado significa que a marca não está interessada em crescer em volume, pretendendo manter a sua exclusividade.

As famosas listas de espera da Ferrari vão assim manter-se, mantendo acesso o desejo dos interessados, como uma boa marca de luxo que faz da exclusividade a sua imagem de marca.

"O Ferrari Luce não é uma resposta à mudança. É uma decisão deliberada de liderar a próxima vaga", disse o presidente da Ferrari John Elkann.