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Cheques até 5 mil euros em troca de carro para abate, defende setor automóvel

A ideia seria passar um cheque de 4 mil euros por veículo, majorado para 5 mil euros no caso de o carro a comprar ser um 100% elétrico. Só este ano seriam abatidos 40 mil veículos, numa altura em que a chegada de usados importados bateu novo recorde.

O envelhecimento do parque automóvel é uma realidade do país, com 1,6 milhões de carros a terem mais de 20 anos de idade. A idade média dos ligeiros de passageiros atinge 14 anos, mas sobe para 16 anos nos ligeiros de mercadorias.

Neste sentido, a Associação Automóvel de Portugal (ACAP) defende um plano de incentivo ao abate de automóveis que permita retirar das estradas 40 mil veículos já este ano.

A ideia seria passar um cheque de 4 mil euros por veículo, majorado para 5 mil euros no caso de o carro a comprar ser um 100% elétrico.

Nas suas contas, este programa permitir poupar 3,2 milhões de litros de combustível, ou mais de 33 mil barris de petróleo, e emitir menos 10,8 mil toneladas de gases poluentes por ano.

O programa chegaria numa altura em que o  número de carros usados importados atingiu um recorde em Portugal no ano de 2025: 120 mil unidades, mais 14% face ao ano anterior. E pesam mais de metade do mercado de viaturas novas do país.

"Estas importações de viaturas para o mercado português não contribuem minimamente para os esforços de descarbonização", disse esta terça-feira, 10 de fevereiro, o presidente da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

"São claramente viaturas importadas com antiguidade elevada, o que contrasta com objetivos declarados de descarbonização e eletrificação do parque automóvel", segundo Sérgio Ribeiro.

A idade média dos veículos importado atinge os oito anos de vida.

A maioria dos usados importados tem uma idade média entre 5 a 10 anos (36%), com 28% a terem mais de 10 anos de idade.

Em conferência de imprensa de balanço de 2025, o setor automóvel nacional queixou-se da burocracia a que estão obrigadas as empresas da fileira para receberem os apoios anunciados pelo Governo.

"Há uma grande dificuldade das empresas face às burocracias, não conseguem cumprir tudo o que é exigido para poderem ter acesso e minimizar os impactos", disse  o secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal.

Hélder Barato Pedro revelou que a ACAP tem estado a prestar apoio neste frente, via o seu departamento jurídico para clarificar a legislação aprovada.

"Houve empresas nossas associadas com danos significativos", segundo o responsável.

A ACAP apontou que há "fornecedores da Autoeuropa" e de outras fábricas nacionais na zona de Leiria que é conhecida por ter um "cluster significativo na parte dos componentes".

O responsável espera que seja feita uma avaliação "muito rapidamente" dos danos causados pelos temporais no setor na região.