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Brent regressa acima dos 100 dólares três meses depois

A última vez que o brent tinha estado acima dos 100 dólares foi a 22 de maio. Desde aí negociou sempre abaixo desse patamar refletindo uma acalmia no conflito no Médio Oriente. Mas na última semana, em concreto a 9 de setembro, regressou à negociação acima dos 100 dólares com a instabilidade que se continua a viver no Médio Oriente.

A escalada no conflito no Médio Oriente, entre Estados Unidos e o Irão, e receios de disrupções na oferta de petróleo, foram fatores que fizeram o brent regressar na última semana, três meses depois, a negociar acima dos 100 dólares por barril. Durante a sessão de sexta-feira 11 de setembro estava nos 103 dólares. Contudo ainda está abaixo do pico de 118 dólares atingido a 31 de março e 29 de abril. Desde o início do conflito, a 28 de fevereiro, o brent já subiu mais de 33%.

A última vez que o brent tinha estado acima dos 100 dólares foi a 22 de maio. Desde aí negociou sempre abaixo desse patamar refletindo uma acalmia no conflito no Médio Oriente. Mas na última semana, em concreto a 9 de setembro, regressou à negociação acima dos 100 dólares com a instabilidade que se continua a viver no Médio Oriente. A escalada prosseguiu no dia seguinte (10 de setembro) para os 107 dólares. Na sexta-feira houve uma acalmia com o reporte de que o Irão e Omã planeavam reunir-se com Estados do Golfo com o objetivo de reabrir a navegação pelo Estreito de Ormuz. Mas tal não foi suficiente para que a negociação fosse feita abaixo dos 100 dólares. Durante a sessão de sexta-feira o preço estava nos 103 dólares.

De acordo com o Financial Times ministros dos Negócios Estrangeiros dos países do Golfo devem encontrar-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão para abordar o Estreito de Ormuz, na segunda-feira 14 de setembro, na cidade de Salalah, no Omã.

O romper da barreira dos 100 dólares deveu-se principalmente a dois eventos ocorridos na última semana, além do que já tinha ocorrido no fim-de-semana de 5 e 6 de setembro. Um deles foi o reporte de que o Irão tinha atacado 10 navios perto do Estreito de Ormuz, e os Estados Unidos retaliaram ao atingir cinco petroleiros iranianos, avançou o Investing. A isto junta-se a tomada do controlo do porto de Mokha, no Mar Vermelho, pelos houthis, que são apoiados pelo Irão no Iémen.

"Com a tomada do controlo do porto de Mokha, no Mar Vermelho, pelos houthis no Iémen, os acontecimentos recentes aumentam a ameaça à navegação no estreito de Bab el-Mandeb", referiu uma nota do ING, transcrita pelo Investing. O estreito de Bab el-Mandeb movimenta 12% do tráfego marítimo global, faz ligação entre Europa e Ásia, e está na rota entre o Mar Vermelho e o Canal do Suez.

No fim-de-semana (5 e 6 de setembro) foram reportados pelo menos três ataques a navios iranianos por parte dos Estados Unidos. Em resposta os iranianos atacaram três navios ligados aos norte-americanos e mais três navios petroleiros que navegavam no Estreito de Ormuz por uma rota que dizem "não estar autorizada". De acordo com o Comando Central norte-americano (Centcom) os três navios iranianos atacados pelos Estados Unidos faziam parte de uma "rede multimilionária de navios sombra que financiava o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão e os seus aliados regionais", em declarações transcritas pela BBC.

Face aos ataques no Médio Oriente o Irão admitiu criar uma “zona interdita” no Estreito de Ormuz [por onde passa cerca de 20% do tráfego mundial de petróleo e gás]. O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaï, adiantou que essa zona vai começar na “linha de bloqueio da marinha americana" e incluirá setores do Golfo. “Qualquer navio que entre nesta nova zona será colocado numa lista de sanções", acrescentou.

Energia pesa na inflação

A escalada no preço do petróleo está também a ter reflexo nos dados económicos. O principal? A inflação. No caso português, em agosto, atingiu os 3,3%, um acelerar de 0,3% pontos percentuais (p.p.) face ao mês anterior, indicou o Índice de Preços no Consumidor (IPC), divulgado a 31 de agosto pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

"A aceleração do IPC é quase na totalidade explicada pelo aumento do preço dos combustíveis", disse o instituto. "A variação do índice relativo aos produtos energéticos aumentou para 12,2% (8,7% no mês anterior) e o índice referente aos produtos alimentares não transformados registou uma variação de 3,4% (3,7% em julho)", acrescentou.

Os receios gerados pela inflação, que continua longe da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE), levaram a que na quinta-feira 10 de setembro o Banco Central Europeu (BCE) subisse as taxas de juro em 25 pontos base. Na zona euro, em agosto, a inflação subiu de 2,9% para 3,3%, o valor mais alto desde setembro de 2023. A energia subiu 14,3%, um máximo desde janeiro de 2023.

No dia seguinte 11 de setembro veio o alerta pelo governador do Banco Central da Alemanha, Joachim Nagel, de que as próximas decisões quanto aos juros na zona euro estarão fortemente relacionadas com a evolução dos custos da energia. "Vai estar muito dependente de como os preços da energia evoluem, como o cenário dos preços vai evoluir durante, talvez, o próximo mês", disse.

Analistas alertam para petróleo nos 120 dólares

A continuação do conflito no Médio Oriente tem levado analistas a anteciparam um preço mais elevado no petróleo. O Goldman Sachs alertou que o preço do petróleo pode chegar aos 120 dólares por barril se os ataques a navios no Médio Oriente continuarem a se agravar, de acordo com nota do banco transcrita pela publicação Investing. A instituição bancária prevê ainda que o brent possa chegar aos 80 dólares por barril se as exportações na região voltarem ao normal.

À agência noticiosa Bloomberg o co-chefe de investigação de matérias-primas do Goldman Sachs, Daan Struyven, referiu que os recentes acontecimentos [do fim-de-semana de 5 e 6 de setembro] apontam para um "risco crescente" de que as perturbações no transporte marítimo "possam "alargar-se e intensificar-se".

Margens de refinação sobem

O conflito está também a ter consequências ao nível das margens de refinação. Ao ponto do Goldman Sachs rever as suas previsões em alta.

O Goldman Sachs prevê que as margens de refinação do gasóleo mais do que dupliquem nos Estados Unidos e na União Europeia devido à baixa nas exportações de combustíveis no Golfo Pérsico.

O banco, numa nota transcrita pelo Yahoo Finance, espera que as margens de refinação do gasóleo nos Estados Unidos cheguem aos 63 dólares por barril (54,33 euros) nos Estados Unidos em 2027, face à anterior projeção de 27 dólares por barril (23,28 euros), e na União Europeia que as margens atinjam os 49 dólares por barril (42,26 euros), face à anterior estimativa de 19 dólares por barril (16,38 euros).

"O aumento das greves nas refinarias do Médio Oriente e da Rússia restringiu ainda mais a já sobrecarregada capacidade global de refinação, elevando as margens dos produtos refinados a novos patamares. O gasóleo continua a ser o epicentro da alta", referiu a nota, citando analistas da instituição bancária.

Os analistas referem que as paragens nas refinarias estão atualmente 60% acima da média sazonal, algo que deve prolongar a escassez de gasóleo até ao próximo ano. Já as exportações de combustíveis do Golfo Pérsico estão a cerca de 40% dos níveis pré-guerra, face à estimativa anterior que se situava entre os 70% e os 80%.