O BPI apresentou resultados anuais de 2025 em queda. Não só o banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa reportou uma queda dos lucros de 13% para 512 milhões de euros em termos consolidados, como em Portugal (que é o foco do BPI) o lucro foi de 489 milhões o que traduz uma descida anual de 4%. Sendo que em termos recorrentes a queda em Portugal ainda foi maior, ascendendo a 12% por causa dos custos com reformas antecipadas que em 2025 foi menor do que no ano anterior.
O produto bancário do BPI caiu 8% para 1.225 milhões de euros, devido à queda da margem financeira de 10% para 875 milhões de euros e à descida das comissões de 6% para 307 milhões de euros. Os outros proveitos líquidos (inclui a reversão do 18 milhões das contribuições do adicional de solidariedade, portanto não recorrente) subiram 29% para 43 milhões de euros.
A rentabilidade dos capitais próprios tangíveis recorrente em Portugal ascendeu a 15,6%, o que compara com 18,2% em 2024.
A queda dos resultados traduz a redução dos proveitos com juros decorrente do ripricing do crédito com indexantes mais baixos.
As participações no BFA e no BCI contribuíram com 22 milhões.
O angolano BFA contribuiu com 43 milhões de euros, mais 9% do que em 2024. Em 2025 o BPI vendeu 14,75% da sua participação do BFA em bolsa, obtendo um encaixe de 103 milhões de euros, pelo que nos próximos anos essa contribuição irá cair.
Já o moçambicano BCI deu um contributo negativo de 20 milhões de euros para os resultados do BPI.
No caso do BCI, o CEO do BPI salientou que os resultados foram impactados pela provisão por conta da queda da classificação da dívida daquele país. O contributo do BCI (onde o BPI tem 35,7%) cai 47,4% para -20 milhões de euros. As imparidades por causa da queda de rating da república moçambicana, de 34 milhões de euros, provocam a queda do contributo dos resultados do banco em Moçambique.
A administradora financeira, Susana Trigo Cabral, explicou que em 2025, houve um downgrade dos ratings do Governo, com as várias empresas de rating a colocarem a dívida pública de Moçambique em "selective default". Por causa disso o BCI teve de registar uma imparidade na conta de resultados, via provisões para a sua carteira de dívida pública, ou seja, para a carteira de OTs e BTs de Moçambique. Este reforço extraordinário de imparidades impactou negativamente em 35 milhões os resultados de 2025. Para além disso, no BPI também teve de fazer uma avaliação da participação do BCI, por causa da descida de rating, e aqui foram 7 milhões de euros.
Mas o próprio CEO disse várias vezes que as participações no BCI e no BFA não são estratégicas e como tal o BPI está disponível para as vender. Não é difícil ler nas entrelinhas que se pudesse as vendia amanhã. Até porque, como confessou, já não conta com a contribuição dos resultados em África para o desenvolvimento do BPI, uma vez que distribuem 100% dos ganhos no BCI e BFA ao seu acionista CaixaBank, "por isso nem sequer contribui para o desenvolvimento do próprio BPI".
O CEO do BPI, que vai continuar num novo mandato, disse na conferência de imprensa "estou tranquilo, o projeto para 2026 está em curso, vamos implementá-lo".
No entanto o CEO do BPI não desvenda nenhuma bala de prata para crescer a rentabilidade (que caiu em 2025), mas questionado sobre se estaria interessado em comprar o Banco CTT respondeu que “não vamos comprar o Banco CTT”, no entanto ironizou dizendo que se estivesse interessado também diria que não, “como é óbvio”. Isto pode portanto ser um "nim".
O presidente do Banco CTT é um ex-administrador do BPI, Francisco Barbeira.
João Pedro Oliveira e Costa disse mesmo "acreditamos que, com os planos de crescimento orgânico que temos nas várias atividades e negócios onde estamos concentrados, especificamente em Portugal, iremos manter níveis de rentabilidade significativos, muito perto daquilo que são as metas do grupo. Temos um plano estratégico em curso que prevê uma rentabilidade superior a 15% de retorno de capital, com níveis de capital próximos daqueles que temos hoje”, disse João Pedro Oliveira e Costa.
“O nosso objectivo de médio prazo, é continuar com níveis de rentabilidade razoáveis”, sublinhou, acrescentando que “acreditamos que é possível o BPI crescer mais do que os nossos concorrentes, em termos de ganhos de quota”.
Mas como é que vão fazer isso quando rejeitam subidas de comissões e de spreads? O CEO não desvendou.
“Não acredito no crescimento de preço do lado das comissões ou dos spreads, pois o nível de competitividade é tão elevado em Portugal e ainda vai entrar um novo concorrente, o BPCE que comprou o Novobanco, que acho que o mercado vai continuar a ser bastante competitivo. Temos que ter as nossas ferramentas, quer através das metodologias internas da sua organização, quer do modelo de negócio, mas não vamos aqui abrir o jogo”, disse João Pedro Oliveira e Costa.
A descida do resultado do banco acontece num contexto de aumento da carteira de crédito que cresceu 7% para 33,3 mil milhões de euros (mais 2,2 mil milhões num ano).
O crédito à habitação foi a estrela da companhia, ao subir 13% para 17,2 mil milhões de euros.
Em nova contratação a subida é de 35%, para 3,9 mil milhões de euros (68% deste foi contratado a taxa mista, a taxa fixa representa 15% e a taxa variável é de 17%).
Ao longo do ano passado, o BPI assinou 5.600 contratos de crédito à habitação, ao abrigo do regime de garantia pública, num total de 1,1 mil milhões de euros de empréstimos concedidos a jovens.
O crédito a empresas subiu 3% para 12,4 mil milhões. O banco reporta ainda um aumento de 3% do crédito a PME para 12,4 mil milhões.
A quota de mercado total do BPI é de 12% (em 2024 era de 12,1%) e do crédito à habitação é de 15,1% (até novembro) quando em 2024 era de 13,2%.
Os recursos de clientes aumentaram 9% para 43,7 mil milhões de euros. A quota de mercado é 11,2%, subindo face aos 10,9% em 2024.