O presidente executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, defendeu esta segunda-feira, 2 de novembro, que a resposta à crise da habitação passa pela industrialização da construção em massa, com o objetivo de voltar a construir mais de 50 mil casas por ano. Sublinhou que os bancos são “parte do tema”, mas não a parte principal da solução.
Questionado sobre o anúncio do CEO do BCP de que irá promover financiamento da construção a custos moderados, João Pedro Oliveira e Costa desvalorizou dizendo que "nós financiamos todos os bons projetos e não fazemos nenhuma distinção”, disse, acrescentando que o banco valoriza a qualidade creditícia e a capacidade de pagamento, “e é isso que deve fazer um banco”, desde que preservada “a solidez e a sustentabilidade financeira dos bancos”.
Na conferência de imprensa de apresentação dos resultados dos primeiros nove meses, em que o banco registou lucros de 363 milhões de euros, menos 7% do que um ano antes, o CEO afirmou que o país já passou “o tempo das análises”.
“O problema está mais que identificado. O que nós precisamos mesmo é de concretização”, disse, apontando que a responsabilidade cabe sobretudo ao Estado, às autarquias e ao setor público, com incentivo ao setor privado. Contou ainda que foi o primeiro a falar do tema da habitação em 2022, o que confirmou depois de ter perguntado a ferramentas de inteligência artificial.
João Pedro Oliveira e Costa admitiu não acreditar na reabilitação como resposta de fundo, “para ser completamente honesto”, por causa da lentidão da legislação e da justiça, do custo e da falta de mão de obra especializada.
Defendeu a industrialização da construção, que permite “uma construção muitíssimo mais barata”, sustentável e que exige “menos pessoas, mais qualificadas”, o que dispensaria importar “tanta mão de obra indiferenciada”.
Pediu também incentivos fiscais e prazos de aprovação mais curtos, já que, ironizou, “os relógios andam muito devagar” em Portugal.
O banqueiro revelou que o BPI vai “em breve” dar um contributo à sociedade com a identificação de zonas onde as principais cidades poderão crescer, aproveitando infraestruturas já existentes.
Defendeu que o Governo deveria chamar os principais atores e montar um plano “em tempo recorde”, e que a oposição, o Governo, as autarquias e o setor privado se juntem “num propósito comum”.
"Há algumas soluções que são mais de curto prazo, como eu considero que o sistema da garantia pública é uma solução, diria, mais de curto prazo e depois uma solução mais de fundo, como eu tenho defendido, com a construção de mais habitação", disse o CEO que acrescentou que "temos estado bastante atentos e preocupados com tudo o que se arrasta, não só deste tema da crise da habitação, mas também com o aumento do custo de vida, e nós percebemos que isto é uma situação que cria ansiedade e angústia a muitas famílias, e temos procurado nós próprios encontrar soluções para elas mesmas. E chamo a atenção que nós não tivemos praticamente recuperação nenhuma de casas nos últimos anos [recuperação por incumprimento do crédito], e não foi por acaso".
"Também é verdade que as famílias têm feito um enorme esforço para responder às suas responsabilidades, mas nós também temos tido muita compreensão com as situações difíceis que cada um atravessa", disse.
Agora, não está nas nossas mãos, a nossa capacidade de resolver o problema de fundo é relativamente reduzida, não está ao nosso alcance; podemos fazer parte da solução, mas não encabeçamos a solução", concluiu.