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BPCE entra no Sabadell e reforça nova vaga de consolidação bancária na Europa

O movimento francês ganha ainda particular relevância para Portugal: depois de ter comprado o Novobanco, o BPCE passa a reforçar simultaneamente a sua presença nos dois mercados bancários da Península Ibérica, através de uma posição direta no Sabadell e do controlo do banco português.

A entrada do grupo francês BPCE no capital do espanhol Sabadell, anunciada esta terça-feira, 6 de outubro, é mais um sinal de que a consolidação bancária europeia está a ganhar força, num momento em que várias das maiores instituições financeiras do continente disputam ativos e posições estratégicas cross-border.

O movimento francês ganha ainda particular relevância para Portugal: depois de ter comprado o Novobanco, o BPCE passa a reforçar simultaneamente a sua presença nos dois mercados bancários da Península Ibérica, através de uma posição direta no Sabadell e do controlo da totalidade do banco português liderado por Mark Bourke.

O grupo bancário francês BPCE adquiriu uma participação de cerca de 7% no capital do espanhol Sabadell, numa operação amigável que reforça a presença do banco francês na Península Ibérica e torna-se em mais uma peça no movimento de consolidação que está a atravessar a banca europeia.

O BPCE anunciou esta terça-feira que construiu uma participação de aproximadamente 7% no quarto maior banco espanhol através de compras em mercado e instrumentos financeiros. O grupo diz que pretende tornar-se um acionista estável e de longo prazo e quer obter um lugar no conselho de administração do Sabadell, mediante as autorizações necessárias.

Os dois bancos não revelaram o valor da operação, mas a participação vale cerca de 1,2 mil milhões de euros aos preços atuais de mercado. O BPCE indicou que não pretende ultrapassar uma participação de 9,9% no Sabadell.

A operação prevê ainda a exploração de oportunidades de cooperação entre os dois grupos, nomeadamente na banca  de empresas e de investimento, financiamento de equipamentos, crédito ao consumo e negócio internacional. As negociações deverão estar concluídas no início de 2027.

A entrada do BPCE surge depois de o Sabadell ter resistido à tentativa de aquisição pelo também espanhol BBVA, que acabou por falhar a OPA (Oferta Pública de Aquisição) em 2025. A oferta considerada hostil do BBVA sobre o Banco Sabadell fracassou em outubro de 2025 após alcançar apenas cerca de 25% de aceitação, mantendo-se o Sabadell independente.

A agora participação francesa é vista pelo mercado como um reforço da posição do Sabadell enquanto banco independente e uma potencial proteção contra futuras ofertas hostis.

Para o BPCE, a operação insere-se numa estratégia mais ampla de crescimento internacional. O grupo francês concluiu no ano passado a aquisição do Novobanco, em Portugal, por 6,7 mil milhões de euros, e considera agora Espanha um mercado prioritário para a expansão das suas atividades europeias.

A operação ocorre numa altura em que a banca europeia atravessa uma nova vaga de consolidação, com operações de grande dimensão em Itália e Alemanha e uma crescente aposta dos bancos em aquisições transfronteiriças.

Na Alemanha, o italiano UniCredit está cada vez mais próximo de assumir o controlo do Commerzbank. O banco italiano assegurou já quase metade do capital da instituição alemã, estando a aguardar as autorizações de supervisão necessárias. O UniCredit reforçou a posição no Commerzbank para 47,65% do capital. O Governo alemão, que detém 13,3% do Commerzbank, tem procurado obter garantias sobre a manutenção da sede em Frankfurt, do papel do banco no financiamento das empresas alemãs e da preservação da sua presença no mercado alemão.

Segundo uma notícia do Financial Times, de 28 de setembro, o CEO Andrea Orcel poderá reformular o conselho de supervisão do Commerzbank já em janeiro para conduzir melhor a estratégia do banco alemão. A instituição financeira italiana planeia convocar uma assembleia geral extraordinária (AGE) assim que obtiver as restantes aprovações regulatórias necessárias para assumir o controlo do segundo maior banco da Alemanha, segundo o jornal.

O UniCredit avançou também em setembro com um aumento de capital destinado a financiar a oferta voluntária sobre as ações do Commerzbank que ainda não controla, numa operação que poderá transformar o banco italiano num dos maiores grupos bancários da Europa.

Em Itália, a disputa entre Intesa Sanpaolo e Monte dei Paschi di Siena (MPS) acrescentou outra dimensão à corrida pela consolidação do setor. O Intesa melhorou no fim de semana a sua oferta pelo MPS em 800 milhões de euros em dinheiro e conseguiu entretanto o apoio da Delfin, maior acionista do banco, com uma participação de 17,6%. A oferta passou a avaliar o MPS em cerca de 34,5 mil milhões de euros.

O MPS está, por sua vez, a tentar travar a operação através de um plano próprio de expansão, que inclui ofertas sobre o Banco BPM e a Banca Generali. Os acionistas do banco italiano vão pronunciar-se sobre esta estratégia numa assembleia marcada para 29 de outubro.

O movimento europeu tem assim assumido formas diferentes: aquisições integrais, como a tentativa do UniCredit sobre o Commerzbank ou a oferta do Intesa sobre o MPS, e posições estratégicas, como a entrada do BPCE no Sabadell.

A tendência é também favorecida por uma maior abertura regulatória à consolidação bancária transfronteiriça. As novas regras europeias previstas na CRD VI, aplicáveis desde janeiro deste ano, estabeleceram padrões comuns para a supervisão de fusões e cisões de bancos na União Europeia, procurando criar condições mais uniformes para estas operações e assegurar que os grupos resultantes mantêm requisitos prudenciais adequados.

A entrada do BPCE no Sabadell surge, por isso, não apenas como um investimento financeiro, mas como uma nova demonstração de que os grandes bancos europeus estão a procurar ganhar escala e posições estratégicas fora dos seus mercados domésticos.