As reservas de ouro do Banco de Portugal, que ascendem a 382,7 toneladas, valorizaram-se 46% em 2025, atingindo o valor de 45,1 mil milhões de euros. Isto é, a quantidade de ouro detida não se alterou, mas valorizou-se 46%.
Este aumento resultou da valorização da cotação da onça de ouro em euros, impulsionada pelo efeito conjugado da subida do preço do metal em dólares (+65,3%) e da depreciação da moeda americana face ao euro (-13,1%).
Esta subida do valor das reservas de ouro do banco central teve um efeito positivo no balanço do Banco de Portugal, que em 2025 totalizava 211 mil milhões de euros, mais 20 mil milhões do que no final de 2024. No entanto, o efeito positivo da apreciação do preço do ouro foi em parte compensado pela redução dos títulos detidos para fins de política monetária, como explica a instituição no seu relatório divulgado esta quinta-feira.
Em termos de resultados financeiros, o resultado antes de provisões e impostos (RAPI) de 2025 manteve-se negativo, em -304 milhões de euros, embora substancialmente menos negativo do que em 2024, ano em que ascendeu a 1.142 milhões de euros. A melhoria no RAPI está relacionada com a evolução da margem de juros, que acompanhou a trajetória das taxas de juro de referência e passou a ser positiva.
Mais uma vez, este ano, o Banco de Portugal usou a provisão para riscos gerais, uma almofada utilizada para amortizar prejuízos. Essa provisão utilizada foi de 304,2 milhões, deixando os resultados líquidos em 2025 marginalmente negativos, em 1,4 milhões de euros, o que compara com resultados positivos de 1,5 milhões em 2024. O banco explica que, apesar do uso das provisões, o resultado líquido foi marginalmente negativo em resultado da redução de impostos diferidos ativos e da tributação autónoma.
O Banco de Portugal voltará, por isso, a não distribuir dividendos ao Banco Central Europeu este ano.
Os bancos centrais, como o Banco de Portugal, começaram a registar prejuízos principalmente devido ao aumento rápido das taxas de juro para combater a inflação, verificado após as sanções à Rússia por causa da guerra na Ucrânia. Isto obrigou os bancos centrais a pagar mais juros sobre as reservas que os bancos comerciais lá depositam, ao mesmo tempo que recebem juros baixos pelos ativos (obrigações) comprados no passado, gerando uma margem financeira negativa.
Para fazer face a isso, o Banco de Portugal constituiu no passado provisões que têm estado a ser utilizadas para absorver resultados antes de impostos negativos.
Para 2026, o Banco de Portugal ainda conta com provisões para riscos gerais de 1.412 milhões de euros que servirão para neutralizar perdas e assegurar um Resultado Antes de Impostos (RAI) pelo menos nulo no exercício de 2026 e seguintes.
Segundo apurou o Jornal Económico, o BdP não espera um resultado muito negativo em 2026.
Bancos tiveram de devolver 8,9 milhões a clientes
Os bancos devolveram 8,9 milhões de euros aos clientes no ano passado, relativos a juros e encargos indevidamente cobrados, anunciou o Banco de Portugal. A devolução surgiu na sequência de ações de inspeção realizadas pelo Banco de Portugal.
O relatório revela que em 2025 “foram recebidas 33.375 reclamações contra instituições financeiras, das quais 22.795 no âmbito das responsabilidades do Banco de Portugal”.
O documento revelou também um aumento das atividades financeiras ilícitas. Em 2025, o Banco de Portugal realizou 479 averiguações sobre atividades financeiras ilícitas (mais 149 do que em 2024) e abriu 359 processos de contraordenação, tendo concluído 720 processos com a aplicação de coimas no valor de 6,3 milhões de euros.
O ano de 2025 marcou a conclusão do plano estratégico de cinco anos iniciado em 2021. No próximo plano estratégico (2026-2030), o Banco de Portugal vai apostar na simplificação regulatória, reduzindo o número de reportes exigidos às instituições financeiras.
Subida da “taxa de stress” no crédito à habitação
O Banco de Portugal irá anunciar, para a semana, novas medidas em relação ao crédito à habitação, que podem passar pela alteração das regras macroprudenciais. Uma das medidas será o agravamento da taxas de stress que é aplicada nas simulações e que hoje está em 1,5 pontos percentuais. O objetivo é mitigar os sinais de aumento do risco bancário decorrente da garantia pública ao crédito à habitação dos jovens até aos 35 anos. O Governador não é apologista da continuidade da medida, sabe o JE.