Os terrenos da antiga refinaria de Matosinhos têm o potencial para a criação de uma cidade com 19 mil habitantes. O projeto pode vir a tornar-se numa das "maiores operações de regeneração urbana na Europa".
Este é um dos cenários previsto num estudo sobre os potenciais usos do novo Innovation District, em Leça da Palmeira, distrito do Porto.
Num cenário de desenvolvimento equilibrado entre usos residenciais e atividades económicos, a reconversão do local poderá acolher 19 mil residentes e 30 mil estudantes, segundo o estudo da consultora PwC que vai ser apresentado esta quinta-feira na QSP Summit na Exponor em Leça da Palmeira.
O projeto poderá gerar 65 mil milhões de impacto acumulado no PIB nacional e criar mais de 100 mil postos de trabalho em Portugal, dos quais 65 mil no concelho de Matosinhos.
O impacto fiscal acumulado poderá atingir 9 mil milhões de euros a nível nacional e 400 milhões a nível local ao longo do horizonte de implementação.
A refinaria de Matosinhos foi encerrada em abril de 2021 pela Galp, com a demolição do complexo industrial a arrancar em 2023, estando previsto terminar no final deste ano. A petrolífera portuguesa passou a concentrar toda a sua refinação no complexo de Sines, distrito de Setúbal. A Galp tem planeado juntar a refinaria de Sines às duas refinarias espanholas da Moeve, passando a deter 20% desta sociedade.
"A análise realizada evidencia o potencial de transformar uma unidade industrial desativada num ecossistema urbano de inovação de referência internacional, com impacto económico, social e territorial para Matosinhos, para o Grande Porto e para Portugal", pode-se ler.
"A visão passa por transformar esta área numa nova centralidade urbana do Grande Porto. O projeto procura combinar habitação diversificada e inclusiva, atividade económica, ensino, investigação, lazer e espaços verdes, reforçando a posição da região entre os hubs tecnológicos e sustentáveis mais relevantes a nível internacional", segundo o documento.
"Assente no conceito de cidade de proximidade, o projeto propõe um modelo urbano sustentável, inclusivo e conectado, com espaço para residentes, estudantes, empresas e novos equipamentos, incluindo um polo universitário e um Parque Atlântico dedicado à biodiversidade e ao lazer", acrescenta.
“O Innovation District de Matosinhos é uma oportunidade única para reposicionar a região e o país. O primeiro passo está dado com esta visão que pode ser partilhada por todos. Os passos seguintes exigem ambição, empenho e coordenação da parte de todos para tornar esta visão numa realidade”, segundo o economista Ricardo Reis, professor da London School of Economics, que participou no estudo.
O estudo foi desenvolvido pela PwC, com a participação do CITTA — Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente, da OPT — Optimização e Planeamento de Transportes, S.A., da ImoEconometrics.