A Air France-KLM (AFKLM) garante que está preparada para apresentar a oferta "mais forte possível" pela TAP.E considera que a guerra no Médio Oriente e a crise energética não vão mudar nada na proposta franco-neerlandesa pela TAP.
"A importância estratégica da TAP permanece igual para nós. A localização geográfica de Lisboa para juntar à nossa já forte posição na América Latina é ainda muito importante", disse o presidente-executivo da companhia destacando a "relação histórica" da AFKLM com a companhia brasileira GOL.
"A forma como vemos a América Latina não mudou, vamos fazer a oferta mais forte possível", defendeu na quinta-feira numa chamada com analistas.
Questionado sobre o facto de ser uma participação minoritária à venda (45%), o gestor disse que isso é o que está em cima da mesa neste momento.
Nos próximos meses, a AFKLM vai realizar uma 'due diligence' "intensiva", com a análise às contas da TAP ao pormenor, mas também as questões legais. A oferta vinculativa será entregue no "final de julho, início de agosto", afirmou, por sua vez, Steven Zaat, administrador financeiro.
A guerra no Médio Oriente e a crise energética não vão mudar nada na proposta franco-neerlandesa pela TAP, garantiu a Air France-KLM.
"Nesta altura, não", disse o presidente-executivo na quinta-feira, mas numa chamada com jornalistas.
Benjamin Smith considerou também como "positivo" a saída da IAG da corrida e a passagem de três para dois concorrentes, mas considerando que nada muda na proposta que a companhia pretende apresentar.
A AFKLM e a alemã Lufthansa são as duas únicas companhias na corrida à privatização de 45% da TAP, depois de a IAG ter rejeitado apresentar uma proposta não-vinculativa. As duas ofertas já foram aceites pelo Governo, com as duas companhias a terem agora até ao início de julho, segundo o executivo, para apresentarem as propostas vinculativas.
O Governo já disse que as duas propostas não-vinculativas estão alinhadas com as prioridades estratégicas definidas pelo executivo:
• reforço da conectividade aérea, incluindo regiões autónomas, diáspora e países de língua portuguesa
• expansão da operação aeroportuária nacional, com destaque para o Porto
• valorização dos centros de manutenção e engenharia em Portugal
• investimento na frota
• plano ambicioso de crescimento para os próximos dez anos
• compromisso com a sustentabilidade
"Os concorrentes terão agora acesso à informação interna da TAP para realização de diligência aprofundada, devendo o processo de entrega das propostas vinculativas ficar concluído em julho", segundo um comunicado recente do executivo de Luís Montenegro.
Após a entrega da proposta, a Parpública vai elaborar o "relatório de avaliação em agosto, permitindo ao Governo tomar a decisão final sobre o comprador em Conselho de Ministros, entre o final de agosto e o início de setembro".
O grupo apresentou na semana passada os resultados do primeiro trimestre, tendo registado um prejuízo de 287 milhões de euros, abaixo dos 292 milhões registados há um ano.
A companhia não foi afetada pelas subidas dos preços dos combustíveis no primeiro trimestre, por causa da guerra, devido à sua política de 'hedging', compra antecipada de combustíveis para prevenir flutuações.
As suas receitas subiram mais de 4% para 7,5 mil milhões de euros, com mais passageiros transportados.
Para este ano, a fatura de combustível deverá disparar em 2,4 mil milhões de dólares face a 2025 para 9,3 mil milhões.
"Num contexto geopolítico altamente volátil demonstrámos resiliência e agilidade na nossa rede", disse o presidente Benjamin Smith esta quinta-feira, destacando os esforços de repatriamento realizados pela empresa após o início da guerra.