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Yogyakarta, onde Java ainda vive

Yogyakarta é uma das mais míticas cidades da Ásia, é o coração e o berço cultural da ilha de Java. Em 2023, a UNESCO classificou como Património da Humanidade o Eixo Cosmológico de Yogyakarta. O elogio salta à vista em vários edifícios históricos, mas é a vibração cultural e espiritual que fazem deste um lugar único para o viajante. Os seis quilómetros que vão do Tugu (monumento) até à praia, passando pelo Palácio de Kraton, onde vive o Sultão, e pela Malioboro Street, são sítios para ver e rever e saborear.

Na mais icónica rua da Indonésia, pujante de comércio, galerias e equipamentos culturais, a cultura popular javanesa fervilha e envolve quem passa. Músicos tocam guitarra enquanto caminham com sacos de papel amarrados às tarraxas da guitarra para recolha de pequenas ofertas. Bandas de música tradicional ou contemporânea deliciam quem passa sob as arcadas. E como se a atmosfera precisasse ainda de mais um condimento para os sentidos, os altifalantes de rua espalham música típica javanesa. E sabem que mais? Funciona, contagia, dá melodia à cidade. Também há performers, teatros de sombras, comida de rua, ateliês de batik, desfiles espontâneos de gente vestida com roupa tradicional e, em geral, uma articulação notável entre tradição javanesa e nova produção artística. A harmonia da diferença e contraste no seu melhor. Tal como na maioria das cidades asiáticas também aqui começam a surgir os pequenos vigaristas que nos dizem invariavelmente que o sítio que queremos visitar nesse dia está fechado e que há um muito melhor que ele conhece muitíssimo bem. Apesar de tudo, o número deste tipo de artistas é ainda reduzido. Num par de dias sou abordado com malícia apenas quatro vezes, em duas delas pela mesma pessoa. Quando me interpela com a informação entusiástica de que amanhã haverá uma festa extraordinária, eu faço-o envergonhar-se com a minha resposta: ontem disseste-me que seria hoje.

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