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Rui Rio: Portugal “está pior agora” do que há dez anos

Durante a conferência do 10º aniversário do Jornal Económico, o ex-líder do PSD e antigo presidente da Câmara Municipal do Porto afirmou que existe na sociedade portuguesa e na europeia, “um descontentamento profundo das pessoas” e apontou a urgência de reformas do sistema judicial, do sistema político e do Estado.

“À pergunta se o país está melhor ou pior. Dou uma resposta: o país está pior”, afirmou Rui Rio Rui Rio durante o painel “2016-2026: Portugal está melhor?” na conferência do 10º aniversário do Jornal Económico que decorre esta quarta-feira, 7 de outubro, no Edifício da Alfândega no Porto.

Rui Rio reforçou a afirmação acrescentando que existe na sociedade portuguesa e na europeia, “um descontentamento profundo das pessoas”.  “Há uma ineficácia crescente na sociedade. Há mais problemas e cada vez mais difíceis de resolver”. Como consequência há uma radicalização da política e da sociedade. A política está a futebolizada, com toda a estupidez do futebol que não consegue ver a visão do adversário, está a ser transmitida para a política”, explicou.

O ex-líder do PSD e antigo presidente da Câmara Municipal do Porto sublinhou a importância e urgência de reformas do sistema judicial, do sistema político e do Estado e apontando a regionalização como um caminho para a otimização da despesa pública.

Rui Rio participou numa conversa com Vítor Neves, presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), e moderada por Miguel Cardoso Pinto, EY-Parthenon Portugal Leader.

No seguimento da sua intervenção, Rio reviu vários problemas no país. Do crescimento fraco da economia portuguesa à baixa produtividade do país,  da escassez de capital e de poupança ao problema da habitação. E acrescentou: “Temos uma qualidade de vida muito aquém do que devíamos ter. O crescimento do salário mínimo, ao subir da forma rápida que subiu, trouxe o salário médio para um patamar tão baixo que explica a falta de produtividade da nossa economia, mas, claro que há uma série de números positivos ”, relembrou.

“Somos um país de subcontratação, o que não acrescenta valor”

Por sua vez, Vítor Neves concordou com Rui Rio indicando que “apesar de existirem número que indicam que estamos melhor há dez anos, devíamos ter feito muito mais do que fizemos. O crescimento da economia do país só é superior à media europeia acontece porque a Alemanha está como está”. O presidente da AIMMAP apontou a burocracia como um dos maiores entraves para o desenvolvimento do país e relembrou o tema da produtividade, indicando que “não pode ser vista pelo número de peças por hora, nisso somos tão ou melhor que outros países. O problema é que não acrescentamos valor. Espanha tem marcas, tem empresas globais, somos um país de subcontratação o que não acrescenta valor, temos de passar a ser um país que tem os seus próprios produtos e que inova e que acrescenta valor”.

Em 2016, houve uma revolução do ponto de vista de empreendedorismo, vimos as pessoas a fazem as malas e irem ao estrangeiro. E tudo o que foi de desenvolvimento foi o trabalho das empresas. e pela visão dos empresários. Temos de meter na cabeça que é pelas empresas que vamos criar riqueza, com um Estado que saia da frente para deixar as empresas fazer”.

“A justiça é a maior falha do pós 25 de Abril”

Sobre a reforma do sistema político, Rui Rio indicou que a reforma deve alterar como os partidos funcionam e como se elege, “o que será dificílimo de ser alterado por aqueles que fazem parte dele, porque se as coisas funcionam de certa foram, senão estariam lá outros”, acrescentou.

Indicou e a reforma da justiça como outra das prioridades, “a justiça está hoje pior que em 1973 e é vital que se reforme de um modo geral. Não vale a pena estarmos com panos quentes, é a maior falha do pós 25 de abril”, sublinhou.

No final da sua intervenção, Rio sublinhou a importância da reforma do Estado em duas vertentes: “uma reforma na gestão, na racionalização e otimização da despesa pública e  na eficácia da resposta ao cidadão”. Disse ainda que se deve  debater e discutir a regionalização.“Com o país descentralizado, obviamente, existirá a capacidade das autarquias funcionarem melhor, a regionalização permitirá a otimização da despesa pública. Se for feita em condições terá leis de suporte à disciplina financeira das autarquias”, concluiu.